Bonde de Santa Teresa: testemunhas e réus de acidente prestam depoimento

Ele conta que muitos acidentes ocorridos com os bondes teriam sido evitados se o governo tivesse atendido às denúncias dos moradores
 

Cinco réus do processo que apura o acidente com o bondinho de Santa Teresa, em agosto de 2011, serão ouvidos hoje (24), em audiência na 39ª Vara Criminal da Capital. Além deles, também serão ouvidas testemunhas de defesa. Desde o acidente, a circulação dos bondes está suspensa em Santa Teresa, região central da cidade.

 

 

São réus no processo, Gilmar Silvério de Castro (motorneiro), José Valladão Duarte (coordenador de Manutenção e Operação), Cláudio Luiz Lopes do Nascimento (chefe de Manutenção da Garagem), Zenivaldo Rosa Corrêa e João Lopes da Silva – assistentes de Manutenção dos bondinhos de Santa Teresa.

 

 

Na denúncia, os funcionários da empresa Central Transportes, responsável por administrar o serviço dos bondes, foram acusados do acidente, ocorrido quando um bonde descarrilou e tombou ao descer uma das ladeiras do bairro, deixando seis mortos e mais de 50 feridos. Todos os acusados do acidente respondem pelo crime de homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

 

 

Segundo o diretor-secretário da Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast), Álvaro Braga, os moradores do bairro têm a esperança de que os culpados pelo acidente sejam penalizados e de que o serviço seja restabelecido. “Até hoje os moradores do bairro sofrem com a falta dos bondes, muitos têm que percorrer grandes distâncias para pegar outra condução. A população quer uma solução para esse caso, no entanto, nós consideramos que acusar apenas operários da empresa é um equívoco.”

 

 

Ele conta que muitos acidentes ocorridos com os bondes teriam sido evitados se o governo tivesse atendido às denúncias dos moradores. “Antes mesmo de acontecer esse trágico acidente, nós fizemos pedidos de melhorias de infraestrutura no serviço, além de realizar uma série de protestos que evidenciavam o estado de ruína em que se encontravam os bondinhos. Milhares de vidas teriam sido poupadas se nossas reivindicações tivessem sido ouvidas”, disse.

 

 

Em julho deste ano, sete pessoas foram ouvidas pela Justiça do Rio – três sobreviventes do acidente e quatro testemunhas de acusação. Entre as testemunhas ouvidas estavam dois peritos da Polícia Civil, que vistoriaram o bonde depois do acidente e outros veículos que atendiam à região. Na época, os peritos informaram que em vários sistemas de freio dos bondes, havia peças novas misturadas a antigas, inclusive recuperadas com solda, o que, em longo prazo, poderia interferir no sistema de freios.

 

 

A empresa Central Transportes informou que as obras para reestruturação dos serviços dos bondes de Santa Teresa já começaram com a substituição dos trilhos. A previsão é que em meados de 2014 os bondes voltem a circular no bairro.

 

Agência Brasil

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