Circuito da Moda Carioca terá decoração de estilistas da Barreira do Vasco

Evento será no Museu Conde de Linhares, em São Cristóvão, e reunirá 32 empresas
 

Circuito-Moda-CariocaDa imaginação fértil de Sílvia, 35 anos, surgem desenhos e moldes. Das mãos ágeis de Dona Maria de Fátima Souza, 67, tecidos viram obras de arte. Da pequena oficina, com quatro máquinas de costura e um clima de muita vibração, aos poucos, brotam almofadas, móbiles, flores gigantes e suportes para luminárias.

 

É no alto da Barreira do Vasco, em São Cristóvão — tradicional bairro de história nas confecções, na área central do Rio — que está sendo produzida toda a decoração de um dos maiores eventos do mundo fashion da cidade: o Circuito da Moda Carioca, que reunirá esta semana, mais de 50 empresas interessadas em mostrar novas coleções.

 

Da parceria entre mãe e filha, nos dias de paz, aparece um exemplo de dedicação e persistência. O projeto da decoração do Museu Conde de Linhares (também localizado no bairro de São Cristóvão), palco do Circuito da Moda Carioca, é mais uma empreitada da dupla. A mãe, com mais de 40 anos de experiência de quem já trabalhou com o estilista Clodovil Hernandez, transforma em realidade os sonhos da filha. Sílvia, formada em estilismo, desenha o presente e traça o futuro dela e das alunas que sobem as ladeiras da comunidade para aprender um pouco e vislumbrar dias melhores.

 

No evento, marcado para os dias 4, 5 e 6 de outubro, entre meio-dia e 20h, haverá estandes de 32 fábricas e pequenas, médias e grandes marcas do setor de moda. Em sua segunda edição, o circuito permite que as empresas apresentem suas credenciais e vendam produtos a preços mais baratos. Em meio a cores e cortes, haverá palestras e mesas-redondas sobre tendências e mercado.

 

De olho nesse público, Sílvia e Dona Maria de Fátima aceitaram a missão de desenhar e executar o projeto de decoração. Elas estão produzindo até 80 peças.

 

“Conhecia os organizadores por causa de outros eventos e fui chamada para idealizar o projeto para o Circuito da Moda Carioca. Desde o papel até a confecção”, explica Sílvia.

 

Os tons puxam para o pastel, mas sempre revelando a tendência das próximas estações. No projeto, predominam as flores.

 

“É para deixar o museu com jeito de espaço de moda”, disse Sílvia.

 

“Ela põe no papel e eu digo se pé possível fazer. Ela sempre ganha”, comenta Dona Maria.

 

No projeto, as duas contam com apoio de ex-alunas de Sílvia. Mulheres que participam dos projetos sociais desenvolvidos pela estilista.

 

“Sempre sonhei com o dia em que faria isso. Dou oportunidades a pessoas de ter capacitação. De aprender um pouco de costura e artesanato até elas terem condições de ganhar algum dinheiro. Aqui trabalhamos com a visão da mulher e de transformação social”, afirma Sílvia.

 

A elaboração do plano de decoração do Circuito da Moda Carioca também revelou um lado interessante dos dias de paz vivenciados após a instalação da UPP Barreira/Tuiuti: a possibilidade de pessoas de outras comunidades participarem ativamente dos projetos na comunidade.

 

É o caso das irmãs Solange e Nilma Barbosa. Moradoras da comunidade do Turano, na Zona Norte da cidade, pacificada em 2010. Três vezes por semana, elas sobem o morro ao lado do estádio do Vasco da Gama para colocar em prática o que aprenderam no curso de corte e costura.

 

As duas tinham poucos conhecimentos na área e já enfrentam o grande desafio.

 

“Não sabia nem colocar linha na máquina. Agora, estou participando de um projeto como esse. É o primeiro e espero que sejam vários no futuro”, afirmou Solange.

 

Com a estrada de vida de quem já viu muita coisa passar pelas ladeiras da Barreira do Vasco, Dona Maria de Fátima resume em poucas frases a grande diferença entre o passado e o presente:

 

“Cheguei aqui em 1972 e a coisa foi ficando braba. Antes, eu tinha que sair e andar pelo Rio para mostrar as roupas que produzia. Agora, todos vêm aqui ao ateliê”, atestou.

 

Para quem lida com as transformações proporcionadas pelas ações do Estado, o evento é muito importante.

 

“O nosso trabalho no governo é agregar. Agregar a criação com a qualidade, agregar valor ao produto, agregar pessoas, nos agregarmos. A moda, no Rio, tem cumprido muito bem esse papel”, destaca a Subsecretária estadual de Comércio e Serviços, Dulce Ângela Procópio.

 

Governo do Rio

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