Música une jovens do Chapéu-Mangueira e Babilônia

Para fazer parte da oficina, a criança tem que estar matriculada na escola e com boas notas
 

oficina-de-musicaO som ainda não é um dos mais harmônicos, mas a realidade dos cerca de 30 alunos da oficina de música das comunidades do Chapéu Mangueira e Babilônia, no Leme, Zona Sul do Rio, está mudando para melhor. As melhorias começaram com a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) há mais de quatro anos e, desde setembro, o surdo, tamborim e pandeiro passaram a fazer parte da realidade deles. Com apoio do Sesi (Serviço Social da Indústria), a oficina de percussão do Chapéu Mangueira e Babilônia começou a funcionar nas quadras das duas comunidades todas as segundas e quartas-feiras, das 19h às 21h.

 

A missão da oficina não é só em ensinar às crianças a arte de tocar como em uma bateria de escola de samba, mas também de unir aqueles que representam o futuro de duas comunidades que antes eram consideradas rivais. A UPP entrou com a segurança e o projeto de percussão pretende mudar a mentalidade dos pequenos que chegaram a vivenciar a briga entre facções criminosas. O responsável por levar essa missão adiante é o professor Márcio Nascimento, que trabalha com música desde 1990 e já passou por escolas de samba como a São Clemente e Estácio.

 

Quando o Sesi pensou em criar o projeto, ele se ofereceu para dar aulas e foi escolhido justamente pelo seu histórico musical e ligação com a comunidade. Em troca das aulas dadas para alunos com idade a partir de 7 anos, Márcio recebe uma ajuda de custo, mas o maior prazer é poder passar um pouco da sua experiência para as crianças.

 

“Para mim é um prazer imenso estar aqui. As duas horas que eles passam aqui, são duas horas a menos que eles têm para ficar pela rua fazendo besteira. Mas eu sempre falo que isso aqui não é profissão. Os alunos aqui sempre têm que estar em dia com a escola e obedecendo em casa”,  diz Márcio, que controla a bateria com “mãos de ferro”.

 

Para fazer parte da oficina, a criança tem que estar matriculada na escola e com boas notas. O comportamento em casa também conta. Márcio pretende realizar todo mês uma reunião com os pais dos alunos para acompanhar o desenvolvimento das crianças e se certificar de que a oficina não tem atrapalhado o desempenho escolar. Experiente quando o assunto é comunidade, Márcio sabe bem como era a vida antes da pacificação e acha que um projeto desse não iria para frente se fosse feito antes de 2009. De acordo com ele, o horário seria impróprio para as crianças saírem de casa. Deixando esse passado difícil para trás, o professor sonha em montar um bloco de carnaval com os seus alunos dentro da comunidade.

 

Nem todo mundo tem dinheiro para ir para a Sapucaí. O bloco aqui dentro seria uma diversão e um incentivo para os alunos ensaiarem ainda mais.

 

Com apenas 10 anos, o pequeno Matheus Andrade toca repique, mas precisa de ajuda para ajustar o equipamento para a sua altura. Mas isso não diminui o entusiasmo do pequeno. O sonho do menino é ser ritmista de uma bateria.

 

“O que mais gosto de fazer é tocar. Isso é muito bom”, conta Matheus, com pressa para pegar logo o repique e começar a ensaiar.

 

O baiano Alberto Rocha, de 13 anos, toca o surdo de primeira, que rege a bateria mirim. Ele se orgulha em dizer que ministra o coração da bateria.

 

“O tempo fica curto de tão bom que é ficar aqui”,  diz Alberto, que antes da instalação da UPP não saia muito de casa por causa do perigo.

 

Para participar da oficina de percussão, a criança deve procurar o professor Márcio, acompanhado de um responsável, durante o horário das aulas na quadra do Chapéu Mangueira na Ladeira Ary Barroso, s/n°.

 

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