Bailarinos chineses realizam oficina de dança no Pavão-Pavãozinho

O grupo, acompanhado pela bailarina Ana Botafogo, foi conhecer o projeto "Dançando para Não Dançar"
 

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Uma das mais importantes companhias de balé do cenário contemporâneo, a chinesa TAO Dancer Theater visitou a comunidade Pavão-Pavãozinho, em Copacabana. O diretor artístico e coreógrafo da companhia, Tao Ye e um grupo de bailarinos foi conhecer o projeto “Dançando para Não Dançar”, sediado no Espaço Criança Esperança e passaram seus conhecimentos para as pequenas dançarinas. A bailarina Ana Botafogo, madrinha do grupo, também compareceu ao evento.

 

 

 

A vinda da TAO Dancer Theater ao Brasil é resultado de uma parceria da empresa Boticário e do Ministério da Cultura da China. O grupo tem como característica marcante a capacidade de descobrir possibilidades de movimentos de corpo até então desconhecidos. Para passar esses conhecimentos para as alunas do projeto do Pavão-Pavãozinho, Tao Ye e seus bailarinos realizaram uma espécie de workshop apresentando seu método de treinamento.

 

 

 

– Através de jogos e passatempos, vou transmitir às crianças como é a relação interpessoal e como são transmitidas as emoções entre as pessoas. Acredito que através da diversão é possível transmitir uma comunicação melhor – disse o coreógrafo, que revelou ser a primeira vez que visita um local que passou por um processo de pacificação.

 

 

 

O encontro entre os bailarinos chineses e cariocas começou com uma apresentação dos bailarinos e professores do projeto Dançando para Não Dançar, Samara Mello e Carlos Cabral. O casal apresentou um “Paus de deux” (dança em dupla) do balé “Corsário” e depois a bailarina dançou um solo contemporâneo do compositor alemão Lars Cheirl. Samara começou como aluna no projeto, aos seis anos de idade e hoje, aos 21, dá aulas de balé na comunidade.

 

 

 

– Hoje eu dancei para essa companhia, foi uma experiência nova e boa e pude mostrar o meu trabalho, foi muito gratificante. Vou pegar essa experiência deles, para quem sabe um dia usar como um recurso a mais nas minhas aulas – diz Samara.

 

 

 

Na segunda parte do evento, Tao separou as meninas em dupla e começou a realizar uma série de jogos que tinham como objetivo a percepção corporal e a confiança no outro. Enquanto uma bailarina ficava de olhos fechados a outra a guiava pelo espaço da sala de dança. As alunas tiveram noção de espaço, percepção de sentidos, além de novos modos de usar o corpo para a dança.

 

 

 

As meninas, moradores de várias comunidades pacificadas, seguiam as instruções do coreógrafo com certo nervosismo, mas depois de algum tempo elas relaxaram e aos poucos se acostumaram com os novos movimentos. Para finalizar o workshop, os bailarinos chineses apresentaram um número de dança contemporânea e explicaram que a coreografia era uma evolução dos movimentos ensinados durante a aula.

 

 

 

– O meu objetivo aqui era que vocês abrissem as suas mentes para a criatividade, de forma a criar novas técnicas de dança e movimentos, porque o corpo de vocês é único. Podemos criar novas formas de dançar em nosso próprio corpo, mas precisamos aprender a base.

 

 

 

Nesta primeira passagem pelo Brasil, Tao ministrará workshops gratuitos no Rio de Janeiro e São Paulo. A companhia é a primeira atração confirmada para a segunda edição do festival Boticário na Dança, que ocorrerá em São Paulo e no Rio de Janeiro, em abril de 2014.

 

 

 

O projeto

O grupo “Dançando para Não Dançar” existe há 18 anos e conta hoje com mais de 500 alunos, de 7 a 19 anos. O projeto funciona em 13 comunidades, 12 delas pacificadas. Ana Botafogo conta que o projeto se firmou bem antes do período de pacificação, no entanto, a implantação das UPPs permitiu que novas unidades do projeto fossem instaladas.

 

 

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Para Ana Botafogo, a ida da companhia da China ao Pavão-Pavãozinho é muito importante para que as bailarinas da comunidade conheçam novos tipos de balé, já que elas estão habituadas a dançar, na maior parte das vezes, o estilo clássico.  – O que eles estão propondo hoje é uma percepção da emoção e do sensorial. Para as meninas vai ser muito interessante, porque elas nunca tiveram uma experiência como essa. Eles usam movimentos da dança contemporânea, mas também técnicas de expressão corporal para teatro. É uma forma de encontrar e conhecer o seu próprio corpo e as suas limitações ou as suas emoções.

 

 

 

A experiência, que de início surpreendeu ao grupo, acabou conquistando as bailarinas. Thaisa Bem Leandro, de 16 anos, moradora do Jacarezinho, faz aulas na comunidade da Mangueira há sete anos e foi ao Pavão-Pavãozinho especialmente para assistir à aula da companhia chinesa.  – Foi bem interessante, o meu problema é que eu não me solto na hora de dançar. Hoje senti mais o meu corpo. Essa experiência abriu minha mente para novos passos para além do balé clássico – afirmou.

 

 

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