Anisometropia: depois dos 70 anos, um terço das pessoas apresenta diferença expressiva de grau entre os olhos

Estudos mostram que entre crianças o índice é de 2% e 4%
 

A diferença de grau entre os olhos, ou anisometropia, pode se manifestar em qualquer idade. Mas, depois dos 70 anos, é comum que as pessoas necessitem de uma prescrição para um enxergar bem de um olho totalmente diferente da do outro. Estudo divulgado no jornal Optometry and Vision Science aponta, inclusive, que o problema costuma acometer um terço dos idosos nessa faixa etária, sendo responsável por quedas que acabam comprometendo a qualidade de vida e a saúde geral da pessoa. 

 

 

 

De acordo com Renato Neves, médico oftalmologista e diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, nem sempre os sintomas são claros. “Em crianças, não se trata de um problema fácil de diagnosticar, já que é muito comum o olho bom acabar compensando o ‘ruim’. Por isso, é importante que pais e professores fiquem bastante atentos ao comportamento da criança. Há casos de pais que se queixavam do desempenho escolar do filho sem saber que em um único olho havia 10 graus de miopia que não estava sendo tratada. Já entre idosos, as queixas mais comuns são dor de cabeça, visão embaçada, e até mesmo quedas sem motivo aparente, em superfícies planas e dentro de casa”.

 

 

 

O especialista diz que os casos mais comuns de anisometropia se referem a uma diferença expressiva de grau de hipermetropia nos dois olhos, de miopia, ou, ainda, pode acontecer de um olho ser míope e o outro hipermétrope. “Também é relativamente comum que a diferença de acuidade visual entre os olhos esteja relacionada à formação de catarata em apenas um olho. De todo modo, o diagnóstico somente é confirmado após minucioso exame clínico oftalmológico – principalmente nos casos em que um olho tem problema de refração e o outro não”.

 

 

 

Estudos mostram que apenas entre 2% e 4% das crianças têm anisometropia. Ainda são desconhecidas as causas que levam esse distúrbio de visão a se tornar dez vezes mais significativo em pessoas com idade média de 75 anos, mas é senso comum que, quanto mais cedo o problema for tratado, o idoso poderá viver mais e melhor. Problemas de visão são uma das principais causas de quedas e fraturas do fêmur entre pessoas com mais de 65 anos. Pesquisadores do Reino Unido acompanharam mais de 500 idosos vítimas de quedas e revelaram que 46% dos pacientes apresentavam comprometimento da visão. Catarata (49%), degeneração macular (21%), problemas refrativos (17%) e glaucoma (3%) foram as doenças mais diagnosticadas.

 

 

 

“Os idosos devem redobrar os cuidados com a visão e passar por exames oftalmológicos com regularidade. Principalmente aqueles que já sofrem de osteoporose, por serem mais propensos a fraturas. Pessoas que moram em sobrados ou casas de repouso formam outro grupo de alto risco que deve ser monitorado”, alerta o especialista.

 

 

 

Fonte: Dr. Renato Augusto Neves, cirurgião-oftalmologista com mais de 60 mil cirurgias realizadas, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos (SP) e autor do livro Seus Olhos. (www.eyecare.com.br)

 

 

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