Casamento coletivo reúne 130 casais homoafetivos no Rio

A Justiça do Rio já havia promovido três cerimônias coletivas, só que de uniões estáveis de homossexuais
 

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O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro celebrou hoje, no domingo, dia 8 de dezembro, “o maior casamento mundial coletivo de casais homossexuais”, no auditório da Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), segundo a organização do evento. A cerimônia contou com 130 casais homoafetivos, conforme os organizadores. A Justiça do Rio já havia promovido três cerimônias coletivas, só que de uniões estáveis de homossexuais.
 
 
 
“O sentimento é o de que toda a luta valeu a pena. É uma alegria muito grande porque a história é de muita perseguição e muito preconceito, com assassinatos de homossexuais e discriminação de todo tipo. E hoje ver essa cerimônia sendo realizada com esse tamanho mostra que muito se avançou. Ainda há muito a fazer contra o preconceito, mas estamos em um caminho de avanço”, comemorou o coordenador do Programa Estadual Rio Sem Homofobia, Cláudio Nascimeto, destacando que o casamento ocorreu no Dia Nacional da Família. “A família continua sendo o elo fundamental da sociedade. Estamos aqui para celebrar as famílias que se oficializam hoje”.
 
 
 
Segundo o coordenador do programa, 68% dos casais eram lésbicas, 31% de gays e uma transexual com o companheiro. Os noivos vieram de 14 cidades do estado, sendo a maior parte da capital. Entre esses, 86% das zonas norte e oeste. “Isso mostra que é um projeto que tem uma capilaridade social muito grande”, disse Claudio Nascimento. Mais da metade dos casais (66%) tinha renda de um a dois salários mínimos.
 
 
 
“Hoje, o Estado brasileiro não faz nenhuma diferenciação entre os casais heterossexuais e homossexuais. Em primeiro lugar, há a importância simbólica que é retirar esse lugar da diferenciação em que uns só têm direito à união estável. Em segundo lugar, o casamento dá o direito à mudança no nome, à garantia ao direito na partilha de bens e direitos sucessórios de forma mais consistente, entre outras coisas”.
 
 
 
A desembargadora Cristina Gaulia, que conduziu a saudação aos noivos, exaltou que a celebração mostra que a Justiça no Rio se modernizou. “Há poucos anos, alguns juízes nem recebiam esses casais e encaminhavam o pedido para a Vara Cível, onde era assinado um contrato de sociedade civil. Nem para a Vara de Família eram encaminhados”.
 
 
José Barbosa Galvão, de 53 anos, que vive há 22 anos com a transexual Vanessa Alves, de 49 anos, comemorou a união e afirmou que participou da cerimônia para realizar um sonho da cônjuge. “Eu já tinha sido casado, mas ela tinha esse sonho e realizamos hoje. Já tínhamos união estável e agora conquistamos mais esse passo”.
 
 
 
O casal Marcos da Costa e Josué dos Santos, que está junto há 12 anos, foi à cerimônia buscando o reconhecimento do Estado e os direitos que o casamento proporciona, como a facilidade de ter conta conjunta, ser dependente em plano de saúde e ter direito à herança sem a necessidade de um testamento. Para eles, o preconceito está diminuindo. “O casamento e a família são instituições importantes na vida da gente. Nunca nos separamos e criamos meu filho biológico juntos. Hoje, nosso neto está aqui”.
 
 
 
Nilzete Ferreira, de 49 anos, confessou estar nervosa antes da cerimônia, mas feliz. “Muita coisa muda para minha esposa e minha filha a partir de amanhã. Será mais fácil ter plano de saúde e conta conjunta. Estamos muito felizes”.
 
 

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