Jovens da Mangueira ensaiam clássico teatral

Alunos do projeto Soul da Paz adaptaram musical inspirado em Romeu e Julieta
 

Teatro-na-comunidadePersonagens icônicos da literatura mundial, Romeu e Julieta estão ganhando nova roupagem Há cerca de três meses, 50 moradores das comunidades do Tuiuti e da Mangueira, alunos do projeto de música Soul da Paz, desenvolvido por soldados da unidade pacificadora da Mangueira, na Zona Norte, ensaiam, em parceria com o Centro Cultural Cartola e o Ciep Nação Mangueirense, um musical cujas raízes remontam ao clássico do dramaturgo William Shakespeare.

 

 

Alunos dos cursos de flauta, cavaquinho, percussão, violão e canto da UPP levarão ao palco do Teatro da Capela Ecumênica da Uerj, no dia 11/12, oito músicas de compositores brasileiros, que abordam o tema da paz. Nos papéis principais, os filhos de um traficante e de um policial adaptam o cenário romântico à realidade dos jovens cariocas. Se na obra trágica, os adolescentes de famílias rivais encerram cedo suas trajetórias, no musical ‘Metamorfose Pacificadora’, os protagonistas têm pela frente um futuro repleto de esperança.

 

 

Para um dos idealizadores da iniciativa, soldado Igor Gomes, a experiência representa um momento de reflexão e descoberta de talento dos alunos, que são os principais atores, seja no canto, na execução dos instrumentos, na atuação ou na dança.

 

 

“A história se baseia nas experiências de vida de dois jovens que perdem seus pais em função da violência urbana. Os dois têm possibilidade de vivenciar uma história diferente. Retratamos uma situação de conflito, para mostrar que o desfecho pode ser outro, dentro de uma comunidade pacificada”, explicou Gomes, que pretende expandir a iniciativa para a comunidade de São Carlos.

 

 

Moradora do Tuiuti, Taissa Frota, de 17 anos, identifica-se com as cenas do espetáculo, criado de maneira coletiva com os jovens. Para a estudante, a chance de dançar e atuar está abrindo portas para um caminho profissional.

 

 

“A arte me mostrou um mundo novo. Hoje, faço aulas de dança e teatro no horário extraescolar, que antes ficava ocioso, e quero me profissionalizar. Eu me emociono de verdade durante a atuação”, disse Taíssa.

 

 

Um dos protagonistas e ex-aluno do Ciep Nação Mangueirense, Cristiano Pereira, de 21 anos, está atuando como monitor de dança do espetáculo.

 

 

“Cresci na comunidade e ela faz parte da minha vida. A arte tem unido os moradores aos policiais. É muito bom ter a oportunidade de vislumbrar outro horizonte”, disse Cristiano, que estuda música no projeto da UPP e dá aulas de street dance no Centro Cultural Cartola.

 

 

Para o comandante da UPP Mangueira, major Márcio Rodrigues, a presença dos militares nas ações educativas estreita os laços entre a força policial e a comunidade.

 

 

“O trabalho da polícia mudou após a instalação da UPP. Hoje, não fazemos somente o trabalho operacional de repressão, mas oferecemos uma contribuição comunitária, trazendo outros conhecimentos para compartilhar com os moradores”, afirmou Márcio.

 

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