Programa da prefeitura utiliza tablets no processo de aprendizagem de alunos com autismo

O programa começou a ser implementado no começo desse ano com 100 alunos, com autismo, de 100 escolas municipais
 

Alunos autistas da Rede Municipal de Ensino estão sendo beneficiados por um projeto pioneiro em todo País que emprega a tecnologia dos tablets no processo de ensino de alunos com autismo. A iniciativa é do Instituto Municipal Helena Antipoff (IHA) – órgão vinculado a Secretaria Municipal de Educação responsável pelo o ensino de alunos com necessidades especiais. O programa começou a ser implementado no começo desse ano com 100 alunos, com autismo, de 100 escolas municipais. Cada um deles recebeu um tablet comprado pela Prefeitura para auxiliá-los no processo de aprendizagem.

 

Conforme a diretora do IHA, professora Katia Nunes, o projeto ‘Educação Especial Digital para alunos com Autismo’ vem sendo implementado na rede municipal de ensino desde o início desse ano, porém a sua elaboração começou a ser pensada em meados 2011. O programa, que já vem dando seus primeiros frutos, é resultado do trabalho do instituto e a UERJ, por intermédio do grupo de pesquisa, do curso de pedagogia chefiado pela professora Catia Walter, que vinha trabalhando a Comunicação Alternativa Ampliada com Alunos com Autismo.

 

A partir de reuniões de estudos na Área de Conhecimentos Específicos sobre alunos com Transtorno Global de Desenvolvimento do IHA e dos implementos que já vinham sendo realizados pelo o grupo de pesquisa, desde o início da parceria, fez com que a Secretaria Municipal de Educação criasse esse ano o projeto Educação Especial Digital para alunos com Autismo.

 

O autismo é um distúrbio neurológico que afeta o desenvolvimento global do indivíduo, adquirido ainda na infância. A criança autista apresenta dificuldade de interação com o mundo externo, dificuldade de comunicação.

 

Os professores foram capacitados para atuarem como mediadores entre essa tecnologia e os alunos autistas que já estão utilizando o tablet, bem com as comunidades escolares em que esses jovens estudam. Segundo Katia, o processo de capacitação para os professores que atuam no Projeto Educação Especial Digital aconteceu de março a junho desse ano, e envolveu todo o corpo docente dessas escolas, desde reuniões para explicar os objetivos do Projeto à escolha dos professores.

– A capacitação visou fazer com que o educador conhecesse e familiarizasse com essa nova tecnologia – os tablets e o software – para ampliação da aprendizagem e comunicação de alunos com autismo.

 

Durante o curso, as escolas envolvidas contaram com a visita técnica da Equipe de Acompanhamento dos Professores do Instituto com o intuito de adequar o conteúdo transmitido às necessidades daquele aluno.

 

Roberto Tony da Silva, 14 anos, aluno da Escola Municipal Pedro Lessa, é um dos jovens beneficiados pelo projeto. Tony que está no oitavo ano no Ensino Fundamental conta com a ajuda da professora Marcia Rapouzo, que trabalha na sala de recursos e acompanhou todo o processo de inclusão do estudante. Para ela, a utilização do novo recurso tecnológico tem sido uma experiência inovadora, não apenas para o aluno, mas também para os professores.

 

– O Tony está descobrindo os recursos do tablet junto com os professores. Outro dia, ele baixou um aplicativo de ciências sobre o corpo humano que o professor de ciência não conhecia, essa troca é muito legal para ele – disse Marcia.

 

Tony está usando o tablet desde março desse ano e já domina boa parte dos aplicativos que a professora instalou e outros instalados por ele mesmo.

 

– O tablet chegou para o Tony, em março, e começamos a configurar o aparelho e o próximo desafio, na minha cabeça, era ensinar o Tony a usar o tablet, mas, para minha surpresa, ele aprendeu mais cedo do que eu esperava.

 

Segundo a professora, a utilização do tablet acelerou o processo de ensino do jovem, apesar de Tony não apresentar dificuldades na fala, lidar com conteúdos abstratos, por vezes, era um entrave para a sua aprendizagem.

 

– Ele sempre foi um aluno muito esforçado. Atravessou algumas dificuldades motoras, fez algumas cirurgias ao longo da adolescência. Mesmo tendo essa dificuldade, ele consegue realizar todas as atividades da minha aula – disse a professora de Educação Física, Patrícia Medina, que acompanha o progresso de Tony desde o 6º ano.

 

Para conhecer esse e outros projetos de educação inclusiva é possível fazer visitas ao Instituto Helena Antipoff, na Rua Mata Machado, 15, no Maracanã. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: 2569-6806.

 

Prefeitura do Rio

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