Tinta da terra conquista agricultores em São Fidélis, RJ

A técnica é incentivada pela Emater-Rio com apoio do Programa Rio Rural
 
O tom da tinta agradou ao agricultor, que escolheu o tom natural em sua propriedade. Fotógrafo: Flávia Pizelli

O tom da tinta agradou ao agricultor, que escolheu o tom natural em sua propriedade.
Fotógrafo: Flávia Pizelli

 

Desenvolvendo o turismo rural em um pesque-pague familiar na microbacia Córrego Taquara, em São Fidélis (Norte Fluminense), o casal de agricultores Telma e Emoildes Talon ampliou as instalações do pequeno restaurante que possui e, para pintar as paredes, aderiu à tinta da terra, uma técnica utilizada desde o período da colonização brasileira, que foi resgatada no município pela extensionista social da Emater-Rio, Eliane Oliveira, uma das executoras do Programa Rio Rural (da Secretaria de Agricultura).

 

– A tinta é mais barata e menos agressiva que as comerciais, porque o solvente é a água e o pigmento é natural, da terra dos barrancos – explica a extensionista.

 

Em 2012, Eliane e outros técnicos da Emater-Rio promoveram oficinas em propriedades rurais do município para divulgar a prática, que pode ser usada em paredes, telhados e até em metal. Na microbacia Valão dos Milagres, a ideia surgiu após identificar – através do Diagnóstico Rural Participativo (DRP), uma das etapas de planejamento do Rio Rural – o desejo dos agricultores em enfeitar suas casas, mas que esbarrava na falta de recursos financeiros.

 

 

– Os moradores estavam desanimados. Andava pelas propriedades e ouvia sempre a reclamação de que queriam casas mais bonitas, mas que nunca sobrava dinheiro para a reforma. Lembrei de uma reportagem na televisão falando desse produto e fui pesquisar. Descobri que aqui mesmo no município existe uma casa de fazenda, do José Carlos Rizon, funcionário do Incra, que foi pintada com essa tinta. No final das contas, ele também me ajudou na pesquisa – disse Eliane.

 

 

Os extensionistas da Emater-Rio distribuíram uma cartilha com o passo a passo da tinta em uma oficina de pintura e, de lá pra cá, sempre que requisitados, atendem os interessados com visitas de avaliação e aulas sobre a confecção da tinta. A mistura de terra, água e cola branca à base de PVA (comprada em frascos de 500 gramas ou um quilo) conquistou os agricultores.

 

 

– Vi muita gente falando dessa tinta e resolvi perguntar ao técnico se dava para fazer. Ele trouxe a Eliane e marcamos a aula. Vamos pintar tudo agora e, por isso, vai ficar muito mais bonito para o verão. Gostamos destes tons de terra e a vantagem é que a tinta não sai. Impressionante! – disse Emoildes.

 

 

Há três anos, o casal resolveu incrementar a renda com a criação de peixes, montando um pesque-pague. Para o futuro, diz que ainda pretende fazer mais obras e que tudo o que for mais acessível acaba sendo bom para eles.

 

 

– Pena que tenho um problema no ombro que não me permite levantar muito o braço, mas vou pintar muita coisa no sítio. Sendo tão mais barato podemos investir mais – disse Telma Talon, experimentando o produto.

 

 

Eliane lembra que a tinta é muito antiga.  – Isso existe há muito tempo. O problema é que esquecemos as coisas antigas, que sempre são mais simples e baratas.

 

 

 

Era dessa forma que as casas eram pintadas no Brasil Colonial – explicou. A tinta da terra, mesmo com o gasto com a cola, fica aproximadamente 70% mais econômica em relação às tintas de parede sintéticas e tem o benefício de ser ecológica, pois não causa impacto na natureza.
 

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