Continua demolição de casas na Favela do Metrô

Os moradores se queixam de que as demolições, que recomeçaram na terça-feira (7), não foram anunciadas, e que algumas casas foram destruídas com todos os pertences e documentos de famílias dentro
 

O trabalho de demolição das casas da comunidade Metrô-Mangueira, conhecida como Favela do Metrô, na zona norte, recomeçou na manhã de sexta-feira (10/01). Policiais militares acompanham a ação, marcada por protestos dos moradores. No local, está prevista a construção de um parque linear e um pólo automotivo. De acordo com o subprefeito da zona norte, André Santos, a demolição e a retirada dos entulhos podem demorar até um mês e meio para serem concluídas.

 

 

Quinta-feira (09/01), após reunião com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro, da Defensoria Pública e de representantes das famílias que vivem na favela, a prefeitura voltou atrás e decidiu pagar aluguel social às pessoas que ocuparam as casas. Os moradores receberão o benefício no valor de R$ 400 até serem inseridos no programa Minha Casa, Minha Vida.

 

 

Inicialmente, o governo municipal informou que já havia indenizado os moradores da comunidade – que começou a ser desocupada em 2010, e que os atuais moradores haviam invadido as casas após a desapropriação, cabendo a eles apenas vagas em abrigos municipais, se necessário.

 

 

Os moradores se queixam de que as demolições, que recomeçaram na terça-feira (7), não foram anunciadas, e que algumas casas foram destruídas com todos os pertences e documentos de famílias dentro.

 

 

A prefeitura afirma que o trabalho de remoção da comunidade começou em 2010 e que 662 famílias foram transferidas para imóveis dos condomínios Mangueira 1 e Mangueira 2, a poucos metros da comunidade. A remoção terminou em dezembro, quando as últimas famílias consideradas originárias pela prefeitura receberam imóveis no Bairro Carioca, em Triagem, também na zona norte.

 

 

No local, a situação é insalubre. Grande quantidade de lixo, valas de esgoto a céu aberto e entulho das demolições se acumulam nos becos da comunidade, que ocupam uma pequena área entre a linha do trem e a Avenida Radial Oeste, em frente à Universidade do Estado do Rio de Janeiro e próxima ao Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã. Nesse cenário, circulam crianças, jovens e idosos, que formam grande parte da comunidade. Ontem, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, Marcelo Chalreo, visitou o local e classificou que as famílias se encontram em “estado de vulnerabilidade social”.

 

Agência Brasil

0 comentários