Esquema de marcação de abortos envolve clínica pública no Catete

Escutas flagram ginecologista aconselhando gestante a conseguir dinheiro com o tráfico
 

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Um ginecologista que trabalha no Centro Municipal de Saúde Manoel José Ferreira, no Catete, é acusado de usar o espaço público para negociar abortos. Um dos casos foi flagrado em escuta telefônica autorizada pela Justiça, em dezembro. Na ocasião, o médico sugeriu à gestante que conseguisse dinheiro com ‘o pessoal do movimento’, numa possível referência a traficantes na área onde ela mora.

 

 

O registro ocorreu três dias antes da operação policial que desarticulou a maior quadrilha de abortos do Rio, responsável por uma movimentação financeira de R$ 500 mil por mês. O caso está sendo investigado pela 19ª DP (Tijuca).

 

 

Enquanto estava na clínica, o médico ligou para José Luiz Gonçalves, acusado de chefiar o esquema, para contar que a mulher no seu consultório tomou remédio por conta própria para interromper a gravidez de 11 semanas. Mas o remédio não surtiu efeito. Durante a conversa, o médico disse a Gonçalves que iria cobrar R$ 2,5 mil pelo aborto.

 

 

 

O valor é ‘promocional’, bem abaixo dos R$ 4,5 mil de uma tabela estabelecida pela quadrilha, baseada no tempo de gestação. Mas a mulher diz estar sem dinheiro, ao pegar o telefone do médico para falar com Gonçalves.

 

 

“É um absurdo um médico que trabalha num hospital público colocar a vida de pessoas em risco em troca de dinheiro”, criticou o delegado Roberto Gomes, da 19ª DP, que investiga o caso.

 

 

Na época da operação policial que desarticulou a quadrilha, em 13 de dezembro, o ginecologista não chegou a ser preso porque as escutas telefônicas ainda estavam em andamento. Depois da ação, duas gestantes o reconheceram, em depoimento na delegacia.

 

 

A 19ª DP investiga a quadrilha desde maio de 2012. De acordo com a polícia, a quadrilha atua há pelo menos três décadas usando telefones antigos como herança de outra geração de ginecologistas que faziam abortos no Rio.

 

 

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