Monitoramento da qualidade da areia mantém cariocas atentos aos cuidados com a praia

O objetivo é avaliar a evolução da qualidade das areias e indicar qual praia precisa ser melhor cuidada
 

Qualidade-da-areiaO verão chegou e com ele vêm as férias, os passeios, os banhos de sol e de mar. Buscando manter o bem-estar e a saúde de cariocas e turistas que frequentam as praias do Rio, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC) realiza durante todo o ano um monitoramento para verificar a qualidade das areias em 35 pontos de praia no município, além do Piscinão de Ramos. O objetivo é avaliar a evolução da qualidade das areias e indicar qual praia precisa ser melhor cuidada e qual precisa de mais campanha de educação ambiental, por exemplo.

 

Para efetuar essa avaliação, a prefeitura estabeleceu a Resolução SMAC Nº 468, de 28 de janeiro de 2010, que dispõe sobre a classificação das areias das praias: ótima, boa, regular e não recomendada. O monitoramento também atende ao Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, que visa especificamente a orientar a utilização racional dos recursos da zona costeira, dando prioridade à conservação e proteção das praias que são bens públicos de uso comum do povo.

“Ninguém faz esse monitoramento, apenas a cidade do Rio de Janeiro. Ele é uma ferramenta de gestão. Já recebemos solicitações para explicar como a gente o faz tanto de municípios do nordeste quanto de municípios do sul do país. Desde 2006, temos esse monitoramento continuado. Fazemos parâmetros físico-químicos e biológicos na areia. O que a classifica é a quantidade de coliformes, uma vez que eles estão associados aos dois grandes poluidores da areia: o lixo deixado pelos banhistas e o cachorro trazido pelo dono”, explicou a gerente de Monitoramento de Água e Ambientes Costeiros da SMAC, Vera Oliveira.

O monitoramento é feito por uma empresa licitada e a coleta é realizada por uma equipe especializada, sempre no horário entre 6h e 9h, em áreas já definidas por pontos centrais georreferenciados, localizadas em zonas de areia de baixa umidade, próximas ao mar e não atingidas pela maré, locais onde há maior uso por crianças e idosos. Desses pontos, são retiradas cinco subamostras de areia que são encaminhadas para o laboratório, onde passam por análises físico-químicas e microbiológicas para identificar a quantidade de coliformes fecais e da bactéria Escherichia Coli – indicadora de contaminação de fezes de animais. Os métodos utilizados nas análises são os especificados nas normas aprovadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial – INMETRO.

“No ato da coleta, o único dado que eles tiram imediatamente é a temperatura da areia. Além disso, no trabalho de campo o agente preenche uma ficha de observação e tira fotos do local e entorno para sanar eventuais dúvidas. Na ficha, ele preenche as condições climáticas e descreve todas as possíveis ocorrências, como por exemplo, se há lixo na região e que tipo de lixo (plástico, resto de comida, papelão), se há algum animal na areia (pombo, urubu, cachorro, bicho morto), se tem população de rua, gente acampando, entre outras”,  relatou Vera.

Dos aproximadamente 34 km de extensão da orla marítima, que vai da praia do Leme, na Zona Sul, ao Pontal, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, o monitoramento é feito nas seguintes areias: Barra da Tijuca (na altura da Avenida do Pepê, do Condomínio Barramares, da Avenida Ayrton Senna e do Quebra-mar); Recreio dos Bandeirantes (praias do Pontal, da Reserva e da Macumba); Prainha; Grumari; Barra de Guaratiba; Ilha de Paquetá (José Bonifácio, da Moreninha e da Imbuca); do Flamengo; de Botafogo; da Brisa e do Recôncavo (Sepetiba); de Copacabana (ruas Barão de Ipanema, República do Peru e Souza Lima); de Ipanema (praias do Diabo, do Arpoador e ruas Maria Quitéria e Paul Redfern); do Leblon (avenidas Visconde Albuquerque e Bartolomeu Mitre); da Ilha do Governador (da Engenhoca, da Bica e da Guanabara); Piscinão de Ramos; Praia Vermelha e Central (Urca); do Leme; de São Conrado (Asa-delta e Hotel Nacional).

Para alertar a população e garantir amplo acesso à informação, a SMAC divulga quinzenalmente o Boletim de Avaliação da condição das areias das praias do Município do Rio de Janeiro através do Diário Oficial do Município, do portal da prefeitura e do Centro de Operações Rio, além da sinalização gráfica nas praias.

“Queremos mostrar para a população que a areia contaminada com fungos e parasitas pode transmitir doenças como candidíase, doenças de pele, doenças respiratórias, entre outras. Mas uma praia com areia poluída, que receba a classificação “não recomendada” no boletim, nem sempre que dizer que as pessoas não possam frequentá-la, apenas é recomendável que os banhistas usem chinelos e sentem-se em cangas, toalhas e cadeiras, evitando muito contato direto”, disse a gerente de monitoramento.

Buscando conscientizar cada vez mais os banhistas, o Centro de Educação Ambiental da SMAC promove diversas campanhas nas praias nos finais de semana. A iniciativa é voltada para crianças, com jogos interativos, brincadeiras, e personagens da Turma da Maria Farinha e do Zeca Tatuí. Há distribuição de folhetos, garrafinhas, jogos, brindes, camisetas e botons e uma tenda é montada para abrigar equipamentos e um microscópio para a criançada olhar de perto o parasita que foi encontrado na areia daquela praia. Também há um painel para as famílias colocarem o rosto e tirarem fotos com os personagens.

“Quando fazemos a campanha ambiental batemos muito em cima de que a população da praia tem que entender que ela é a sua área de lazer, que deve ser tratada como se fosse o quintal ou jardim da sua casa e, por isso, deve-se cuidar bem dela. Ninguém joga lixo no chão dentro de casa, então por que jogar na areia da praia? A Comlurb faz um trabalho muito bom, mas tem gente que enterra lixo. O problema da população é achar que a praia é terra de ninguém, quando na verdade ela é terra de todos!”, declarou Vera Oliveira.

 

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