Ação social pela Música leva cidadania aos jovens de comunidades pacificadas no Rio

Para participar da iniciativa basta comparecer às unidades das respectivas UPPs
 

O projeto Ação pela Música é um parceiro do Governo do Estado, apoiado pelo RIOSOLIDARIO – Obra Social do Rio de Janeiro. A proposta integra crianças e adolescentes, entre 6 e 18 anos, de três núcleos de comunidades pacificadas do Rio de Janeiro: Dona Marta, Cidade de Deus e Complexo do Alemão.

 

 

Mais de 800 jovens praticam atividades musicais que incluem aulas teóricas, aprendizado de instrumentos orquestrais, coral e lutheria – reparo, manutenção e construção de instrumentos. No espaço do Dona Marta (que atende moradores das comunidades de Santa Marta, Pavão-pavãozinho, Babilônia e Chapéu Mangueira) são 100 alunos. Para além das aulas técnicas, a ação social tem a proposta de trabalhar questões como cidadania e responsabilidade social.

 

 

Sob os olhares atentos e cuidadosos do diretor musical e regente, Juliano Dutra Aniceto, os alunos aprendem sobre o perfil do músico e a necessidade da disciplina diária para o desenvolvimento profissional. Diálogos sobre comprometimento, dedicação, seriedade, energia e disposição complementam a parte técnica.

 

 

Maestro Juliano Dutra começou na música aos 11 anos de idade como flautista em um projeto social na comunidade de Manguinhos, aos 17 anos, assistiu pela primeira vez uma orquestra sinfônica e se encantou. Desde então, decidiu se tornar maestro. E é com este olhar humano que ele faz a diferença entre os alunos. Como profissional, ensina a técnica musical, e como cidadão, o interesse pela coletividade.

 

 

O músico, que está à frente do projeto desde fevereiro de 2013, promete para o ano de 2014 muita brasilidade. Do Hino Nacional ao repertório erudito de Hernani Aguiar e popular de Sivuca, a proposta é aprimorar a habilidade e o conhecimento técnico dos alunos.

 

 

– Esta é uma ação social e não profissionalizante de música. Mas o que queremos é desenvolver um trabalho de alta qualidade a ponto de que os estudantes que queiram se profissionalizar tenham a possibilidade de escolher esta área como carreira e concorrer às provas das grandes academias sinfônicas – afirmou o maestro.

 

 

Para ter o retorno sobre a evolução dos alunos, o professor participa de reuniões trimestrais em cada uma das comunidades do núcleo. A evolução vai desde a melhora no comportamento à concentração nas aulas.

 

 

E é o fato de estarem mais concentrados que facilita a compreensão, aumenta o aprendizado e a percepção, tornando-os assim, melhores músicos. Desta forma, os jovens aplicam a mesma dedicação quando estudam para o vestibular.

 

 

– Antes de entrar no projeto eu era muito elétrico, não tinha muita coordenação motora e eu vivia estressado. Entrei porque meus amigos falaram do projeto, acabei gostando e estou até hoje – disse Sanclair, jovem violinista e morador da Babilônia.

 

Para Débora Alexia, 14 anos, a iniciativa é excelente.

 

– Aqui nós temos a oportunidade de estar perto de instrumentos e músicas clássicas, coisas que muitas pessoas não têm hoje em dia – afirmou Débora.

 

– O Governo permitiu a instituições como a nossa, que existe há mais de 18 anos, o desenvolvimento do trabalho. Com a Secretaria de Segurança e a UPP os professores e alunos entram e saem com tranquilidade do projeto – explicou a coordenadora da Ação Social pela Música, Fiorela Solares.

 

 

Para participar, mesmo que não estejam abertas as inscrições, os jovens que quiserem participar da iniciativa devem comparecer às unidades das respectivas UPPs.

 

 

 

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