Entidades ressaltam que ataques contra jornalistas não se limitam às manifestações

Radialista foi assassinado a tiros no Espírito Santo na última semana
 

Os crescentes atos de violência contra a imprensa têm chamado atenção dos profissionais e de entidades da classe, que ressaltaram a ocorrência além do âmbito das manifestações. Na semana passada, as mortes de Pedro Palma, no Rio de Janeiro (RJ), e de Edilson Dias Lopes, no Espírito Santo, motivaram notas da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), que cobraram resposta para os assassinatos.

 
 
Segundo a Agência Brasil, o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, explicou que o problema da violência contra os profissionais não se restringe às manifestações, ainda que, desde junho do ano passado, quando diversas pessoas tomaram as ruas do Brasil, o número de casos tenha aumentado.
 
 
“Precisamos de proteção, mas os jornalistas não estão pedindo ações restritivas das liberdades individuais. Estamos resistindo a essa provocação, pois achamos que não vai ser com leis repressoras, que restrinjam a liberdade de reunião e manifestação que vamos conseguir diminuir a hostilidade contra jornalistas. Pelo contrário. A tendência será isso desencadear ainda mais radicalismo”, disse.
 
 
 
 
O jornalista Pedro Palma foi morto a tiros na última quinta-feira (13/2), em Miguel Pereira, no Rio de Janeiro (RJ). Moradores da cidade levantaram a hipótese de crime político, uma vez que ele era conhecido por denunciar irregularidades de figuras públicas. Já o radialista Edilson Dias Lopes foi morto na última terça (11/2), em Pinheiros, no Espírito Santo (ES). Locutor da Rádio Comunitária Explosão Jovem FM, Ed Wilson, como era conhecido, também foi alvo de tiros disparados por duas pessoas que passaram em uma moto.
 
 
 
 
Representantes das três principais entidades dos meios de comunicação – Associação Nacional de Jornais (ANJ), Abert e Associação Nacional de Editores de Revista (Aner) – encaminharam um relatório ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na última terça (11/2), no qual lista seis homicídios de jornalistas ocorridos em 2013. Nenhum deles ocorreu durante manifestações.
 
 
 
 
De acordo com documento, os seis profissionais foram mortos entre 8 de janeiro e 15 de novembro de 2013. O relatório ressalta ainda que foram registrados 175 atos de violência contra jornalistas e veículos de comunicação. Do total, 126 casos ocorreram durante protestos de rua. Após receber o texto, Cardozo anunciou a criação de um grupo de trabalho para discutir a instauração de uma política pública para proteção dos profissionais de comunicação.

0 comentários