Dia Mundial da Tuberculose

Ação informativa para prevenção e combate ao preconceito da doença, dia 24, em Madureira
 

images“É possível tratar. Até o preconceito.” Esse foi o tema da ação promovida pela Secretaria de Estado de Saúde no Parque de Madureira, no domingo (23/03), para esclarecer a população sobre prevenção e tratamento da tuberculose. Realizado em parceria com o município do Rio de Janeiro e diversas ONGs, o evento foi idealizado para, além de informar, combater a discriminação em relação à doença, uma vez que o Estado do Rio apresenta a maior taxa de incidência do país – são 72 casos para cada 100 mil habitantes. 

 

 

 

– A tuberculose aparece mais em áreas com alta densidade demográfica. Os municípios mais atingidos são Rio de Janeiro, São João de Meriti, Duque de Caxias, Paracambi e Japeri, justamente aqueles com maior adensamento populacional. Para ter uma ideia, o estado tem 368 pessoas por quilômetro quadrado. Em São João, são 13 mil e no Rio, 5 mil. Por ano, são registrados cerca de 14 mil casos, índice que vem se mantendo nos últimos tempos. Por isso, é importante informar a população, para evitar o diagnóstico tardio e fazer com que as pessoas infectadas não tenham vergonha de procurar as unidades de Saúde para se tratarem – explicou a coordenadora do Programa Estadual de Tuberculose, Ana Alice Teixeira Pereira. 

 

 

 

O diagnóstico e o tratamento devem ser feitos nas unidades básicas de saúde dos municípios. Quanto mais cedo a doença for detectada, mais rápida será a cura, evitando complicações e até a morte do paciente. Por isso, a secretaria estadual vem trabalhando para ampliar a cobertura das unidades básicas e estender o horário de funcionamento das clínicas, além de equipar com CTI dois hospitais de retaguarda, onde são tratados os casos mais graves. 

 

 

 

Segundo o coordenador da Gerência de Pneumologia Sanitária do Rio, Jorge Eduardo Pio, é preciso eliminar o estigma que a doença ainda carrega. 

 

 

 

– Muita gente ainda acha que é feio e sente vergonha de dizer que está doente. Tem pessoas que procuram unidades de saúde longe de suas residências, para que os vizinhos não tomem conhecimento da situação. A tuberculose é uma doença infectocontagiosa, mas ela depende do sistema imunológico do paciente. De cem pessoas com a bactéria, apenas 10 ficarão doentes. A Aids debilita o sistema imunológico, por isso os portadores do vírus estão mais suscetíveis – disse.

 

 

 

No Rio de Janeiro, a cobertura de unidade básicas de saúde é de 45% e na Região Metropolitana, de 20%. No interior, ela chega a 70%, mas nessas regiões o índice de incidência é menor. Em 2013, foram registrados apenas 397 casos em 47 municípios do interior do Estado. 

 

 

 

A tuberculose é causada por uma bactéria, o bacilo de Koch, que se prolifera em ambientes úmidos e escuros, por isso a predominância em locais de grande adensamento populacional. Nas comunidades, o problema é maior, porque as moradias são muito próximas, dificultando a circulação de ar e a entrada de luz, com famílias numerosas convivendo, muitas vezes, em casas de um só cômodo. 

 

 

 

– Os problemas da Saúde não estão restridos somente aos cuidados médicos. Tem a ver também com saneamento, emprego, educação e zoneamento urbano. Bairros planejados evitariam doenças como a tuberculose – destacou Ana Alice. 

 

 

 

Atividades – O domingo chuvoso não desanimou os alunos da Academia Carioca, praticantes de atividades esportivas nas Clínicas da Família do Rio de Janeiro. Cecília Monteiro, de 64 anos, Terezinha Pereira Augusta, de 74, Nilton Pereira da Silva, de 77, e Maria José Soares, de 75, foram alguns dos alunos da professora Patrícia Cardoso Rodrigues, que chegaram cedo ao Parque de Madureira para a Caminhada de Luta Contra a Tuberculose.  

 

 

– A prática de exercícios me fez muito bem, por isso sempre participo destes eventos, para divulgar a importância de cuidar da saúde – disse Terezinha. 

 

 

A programação começou com uma grande aula de alongamento, substituindo a caminhada devido ao mau tempo. Durante todo o dia, o público teve acesso a quatro estandes, cada um com uma proposta diferente: terapias alternativas, como shiatsu, reflexologia plantar e auriculoterapia; jogos educativos, para atrair as crianças e disseminar a informação para os pais; combate ao tabagismo e prevenção de câncer de boca; e distribuição de folhetos e materiais informativos.

 

O fisioterapeuta João Tenório, do Núcleo de Apoio à Saúde da Família, atendeu diversas pessoas no local. 

 

 

 

– Essas terapias ajudam no tratamento da tuberculose, que tem a duranção de seis meses. É possível diminuir a dosagem da medicação, além de melhorar os níveis de ansiedade e de depressão dos pacientes – explicou.

 

 

Novas edições do evento estão programadas para o dia 27, em Niterói, na Estação das Barcas, e para o dia 28, em Duque de Caxias, na Praça do Pacificador.

 

 

Assessoria de Comunicação: Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro

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