Participantes da primeira edição do Imersão aprovam projeto pioneiro da Prefeitura do Rio

A turma elaborou um documento com propostas de gestão participativa que será entregue ao prefeito
 

projeto-imersaoA primeira edição do Projeto Imersão encerrou as atividades nesta quinta-feira (15/01), na sede da Prefeitura do Rio. Os 30 jovens de 16 a 26 anos desta primeira turma passaram três dias conhecendo a estrutura do governo municipal e aprovaram a iniciativa pioneira que busca estreitar os laços entre a prefeitura e a sociedade, proporcionando à população a oportunidade de conhecer melhor o funcionamento da gestão pública. Todos os participantes receberam um certificado. 

A turma elaborou um documento com propostas de gestão participativa que será entregue ao prefeito Eduardo Paes. Entre elas estão o incremento do orçamento participativo; a implantação de tótens informativos sobre os bairros da cidade; incremento do sistema aquaviário; projetos de extensão na área educacional para experimentar novas tecnologias; e a criação de um aplicativo de geolocalização de todos os meios de transporte que operam na cidade.

– O que acho mais legal desse projeto é que a ideia de cidade-empresa está muito clara, afinal pela primeira vez vejo que a prefeitura procurou as pessoas para mostrar o seu funcionamento, quando geralmente ocorre o contrário. Isso inclusive ajuda muito na minha formação — comemorou a estudante de gestão pública Nathália Azevedo, 24.

Em três dias de projeto, iniciados na terça-feira (14/01), os participantes assistiram a palestras e apresentações de representantes da prefeitura e visitaram o Centro de Operações Rio (COR), na Cidade Nova; a estação Santa Luzia do BRT Transcarioca, em Ramos; o Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) Lily Marinho, no Catumbi; o espaço interativo Meu Porto Maravilha, e o Museu de Arte Moderna (MAR), na Praça Mauá, de onde puderam ver as obras do Museu do Amanhã e do Túnel Rio450.

No primeiro dia, os jovens foram recebidos pelo prefeito Eduardo Paes no auditório do Centro Administrativo São Sebastião (CASS), na Cidade Nova. Após a recepção, os jovens obtiveram informações sobre o planejamento estratégico, o orçamento municipal, e as parcerias público-privadas executadas na cidade, como as do Porto Maravilha (considerada a maior PPP do Brasil), do Parque Olímpico e do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Ao final do encontro, o grupo seguiu para uma visita ao Centro de Operações Rio (COR).

– O Rio vive um momento de muitas transformações e a participação da sociedade nesse processo é fundamental. Sempre tivemos a preocupação de ir às ruas, ouvir e dialogar com a população. Agora, temos a tecnologia como parceira para que possamos intensificar esse contato, como também é o caso do Desafio Ágora Rio. São ferramentas que provocam a máquina pública para o debate com a sociedade e a melhoria de suas ações. Eu diria que é uma solução inovadora para fazer com que as coisas funcionem bem – disse Paes.

Criado e coordenado pelo LAB.Rio, a primeira edição do Imersão selecionou 30 jovens com idades entre 16 e 26 anos, moradores de diversos bairros da cidade, que participaram de debates e visitas a obras e equipamentos municipais. O projeto recebeu 112 inscrições de moradores de 50 bairros da cidade. As zonas Norte (38%) e Oeste (27%) tiveram o maior número de participantes selecionados, a maioria da Tijuca, Santa Teresa, Copacabana, Jacarepaguá, Vila Isabel, Botafogo, Laranjeiras, Méier, Campo Grande e Rocha Miranda.

No segundo dia de Imersão, representantes da prefeitura conversaram com os jovens sobre mobilidade urbana e grandes obras, e o grupo visitou a Estação Santa Luzia do BRT Transcarioca, em Ramos. O engenheiro Eduardo Fagundes, da Secretaria Municipal de Obras, explicou a mudança de filosofia do sistema de transporte rodoviário na cidade a partir da implantação do sistema Bus Rapid Transit (BRT), em junho de 2012. Um terço dos participantes do Imersão nunca havia andado em um ônibus do novo sistema.

Moradora do Parque União, comunidade próxima á estação, a estudante Mayara Donaria Araújo, 18 anos, lembrou que a chegada do BRT urbanizou o entorno e trouxe uma academia da terceira idade, além de manter o campinho de futebol:

— A chegada do BRT foi bastante positiva em virtude da urbanização, além de alterar a rotina das pessoas. Essa troca de ideias com o engenheiro foi legal para esclarecer as coisas. Isso vai ajudar quando eu conversar com amigos e familiares sobre o assunto.

Da estação do BRT, os jovens seguiram para o Espaço Meu Porto Maravilha, onde tiveram a oportunidade de conhecer como funcionam a Parceria Público Privada (PPP), a preservação do patrimônio histórico, a derrubada da Perimetral e os 3% destinados por cada investimento para a produção cultural na região.

— A proposta me atraiu e valeu a pena ter participado, exatamente por ter a oportunidade de conhecer melhor o funcionamento da máquina municipal — comentou a advogada Larissa Cosendey, 26.

Os assessores de Desenvolvimento Econômico e Social da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Porto Maravilha (Cdurp), Carlos Frederico da Silva e Manuela Ganem, acompanharam os jovens do Espaço Meu Porto Maravilha até o mirante do Museu de Arte Moderna (MAR), de onde puderam mostrar as obras de construção do Túnel Rio450, que ligará a Rua Primeiro de Março, na altura do Distrito Naval, à Rua Antonio Lage, perto do Moinho Fluminense.

Para o jornalista Frances Ferreira, 26, as visitas foram interessantes por esclarecer e dar oportunidade de o grupo questionar membros da administração pública sobre vários temas:

— Esse contato bem próximo com a prefeitura está sendo interessante. Gostei do Espaço Meu Porto por dar a oportunidade de voltar no tempo, ver como era a cidade tempos atrás e ter uma ideia dessa transformação radical.

Nesta quinta-feira (15/01), terceiro e último dia do projeto, eles conheceram o Espaço de Desenvolvimento Infantil Lily Marinho, no Catumbi, e participaram de oficina colaborativa no CASS, onde os jovens se dividiram em grupos para analisar e comentar o que conheceram durante a experiência no Imersão. Após a reunião, as propostas foram apresentadas a representantes das secretarias municipais de Educação, Transporte e da Casa Civil.

 

LAB.RIO

Desde as manifestações populares de junho de 2013, o prefeito levantou a bandeira da Polisdigitocracia  (forma de governo que tem seus pilares na participação e na transparência), que usa a tecnologia como principal instrumento de diálogo. Lançado em novembro de 2014, o Laboratório Participativo da Prefeitura do Rio (LAB.Rio) representa esse conceito, em que novas experiências de participação nas decisões governamentais podem se dar de forma presencial e online.

O Ágora Rio foi o primeiro projeto realizado pelo LAB.Rio. A plataforma funciona como uma grande rede social para discussão e proposição de políticas públicas. Lançado em setembro de 2014, o Ágora Rio conta com mais de 2.000 usuários, já recebeu mais de 500 propostas, gerou mais de 2.500 comentários e 17.500 avaliações em seu primeiro ciclo, que teve como tema a ampliação do Legado Olímpico. A cada três meses um novo desafio é lançado. O próximo será sobre Mobilidade e está previsto para começar no próximo dia 19.

O outro projeto do LAB.Rio é o ChegaJunto. Ele proporciona a um grupo de crianças e adolescentes a experiência de um dia na prefeitura. Através de exercícios lúdicos e didáticos sobre o orçamento e o funcionamento dos órgãos municipais, o projeto visa fortalecer o Artigo 12 da Convenção sobre os Direitos da Criança, que garante o seu direito de participar em todos os processos que afete sua vida.

A primeira experiência do ChegaJunto aconteceu em 13 de junho desse ano com estudantes da rede pública municipal. Participaram da ocasião os secretários da Fazenda, Educação e Cultura, além do prefeito Eduardo Paes. Além disso, o projeto trabalha com servidores, melhorando a capacidade de ouvir e entender as demandas das crianças, para garantir que participem ativamente da construção da cidade.

Todos os projetos realizados pelo LAB.Rio poderão ser acessados pelo site do Laboratório. Os cariocas poderão interagir com o Laboratório através da página no Facebook, perfil no Twitter e blog. Os cidadãos também podem enviar textos sobre experiências de participação social que já viveram na cidade ou em qualquer lugar do mundo.

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