ONU inaugura exposição em memória às vítimas do Holocausto

A mostra marca o Dia Internacional em Memória do Holocausto, lembrado em 27 de janeiro
 

O Centro de Informações das Nações Unidas no Brasil (Unic Rio) inaugurou dia 29 de janeiro uma exposição com pôsteres em memória às vítimas do Holocausto, no Palácio Itamaraty, no centro do Rio de Janeiro. A mostra marca o Dia Internacional em Memória do Holocausto, lembrado em 27 de janeiro, data em que as tropas soviéticas libertaram o maior campo de extermínio nazista, o de Auschwitz-Birkenau, em 1945.

 

 

A mostra Mantenha a Memória Viva – Nossa Responsabilidade Compartilhada é resultado de um concurso internacional promovido pelo Programa das Nações Unidas para Divulgação do Holocausto e a Escola Internacional para Estudos do Holocausto do Yad Vashem, que teve como vencedora a designer brasileira Julia Cristofi.

 

 

Um júri internacional selecionou os 12 melhores trabalhos a partir de 150 inscrições de designers e estudantes de design da Áustria, Bósnia e Herzegovina, Brasil, China, Hungria, Índia, Indonésia, Israel, Peru, Polônia, Rússia, Sérvia e Eslovênia.

 

 

A mostra ocorre simultaneamente na sede da ONU em Nova York e em diversos países. O pôster criado pela designer brasileira apresenta imagens de sobreviventes do genocídio com o símbolo do Chai, que significa vida, em hebraico.  “A importância da vida foi a principal mensagem que quis passar no meu pôster. Os sobreviventes viveram a história e a dor e representam a memória dos que não estão aqui para contar”, disse Julia.

 

 

Aos 89 anos, Freddy Siegfried Glatt, um dos cinco sobreviventes do Holocausto que moram no Rio, dá palestras em colégios da capital fluminense em que conta sua história de superação. “É importante não esquecer o Holocausto, mesmo quando os sobreviventes já não estiverem mais aqui”, disse Glatt, nascido em Berlim.

 

 

Em 1933, a família do alemão fugiu para a Bélgica após a ascensão de Adolf Hitler. Glatt lembra que, em 1942, seus dois irmãos mais velhos e os avós maternos foram deportados para Auschwitz onde foram mortos. Em 1947, ele veio com a mãe e duas tias para o Rio de Janeiro, onde se reuniram com o pai, que já estava no Brasil há 13 anos. “Eu tive muita sorte”.

 

 

Para o diretor do Unic Rio, Maurizio Giuliano, a importância de manter a memória viva sobre o Holocausto é prevenir as muitas formas de ódio. “Observamos o aumento da xenofobia no mundo. Hoje, há ódio contra refugiados sírios, contra os rohingyas em Mianmar, contra os imigrantes africanos. A mensagem da exposição é ‘nunca mais’”.

 

 

O vice-presidente da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, Claudio Goldemberg, destaca que o Holocausto marcou o ápice das perseguições sofridas pelos judeus ao longo dos séculos e remete a um dos períodos mais sombrios da humanidade, entre 1939 e 1945. “Milhões de pessoas entre eles ciganos, deficientes físicos e mentais, cidadãos do Leste Europeu foram brutalmente assassinados, ao lado de 6 milhões de judeus”, disse Goldemberg. “Precisamos lembrar para não repetir a história”.

 
 

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