Para Minc não basta saneamento convencional

Desenvolvimento Sustentável depende de transportes e segurança
 
Carlos Minc, ex-Ministro do Meio Ambiente, abordou em sua palestra no evento Barra Sustentável, que foi realizado no Hotel Sheraton, na manhã desta terça-feira 14/9, pontos importantes da área do meio ambiente, como a utilização dos recursos do Fecam (Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano), a evolução do saneamento na área da AP-4, as medidas ainda necessárias e o caminho para o desenvolvimento sustentável.
 
“Temos uma região cheia de problemas e possibilidades. Criamos na Constituição o fundo de conservação ambiental. Quando fui convidado para ser Ministro do Meio Ambiente, falei que era necessário usar os recursos financeiros do Fecam. Concluímos a estação de tratamento de esgoto, o emissário submarino e já fizemos nove elevatórias. Na  parte de saneamento, em três anos e meio a Barra e Recreio evoluíram muito, inclusive com a ajuda da iniciativa privada, de empresa como a RJZ Cyrella e a Carvalho Hosken. Jacarepaguá é o grande desafio, pois o que está na bacia corre para o mar. Embora o saneamento tenha avançado muito, a impressão que se tem ainda é muito ruim, porque toda história de Jacarepaguá acaba aqui”, lembrou.
 
Minc revelou que o Governador Sérgio Cabral tomou como compromisso aumentar a contribuição do Fecam na área ambiental, passando os valores dos royalites de 5% para 10%. “Minha expectativa é boa, mas é importante lembrar que não basta o saneamento convencional. Há problema em torno das Lagoas, assoreamento dos rios, desmatamento das matas ciliares e drenagem da Baixada. Temos que retomar um macro programa de drenagem e ver a região como uma oportunidade de turismo. Uma segunda ligação com o Rio Morto seria importante. Avançar no saneamento é essencial”, ressaltou.
 
Para o ex-Ministro do Meio Ambiente, não existe desenvolvimento sustentável sem as questões do transporte e da segurança. “Sou um defensor das UPPs. A polícia abre caminho ao desarmar o tráfico e extinguir territórios dominados. A UPP Verde, uma vez desfeito o domínio territorial sobre a população, pode entrar com educação ambiental, reflorestamento, inclusão digital e ecoturismo. Os bairros voltam a ser urbanos. UPP avançando, metrô também, dobrando recursos do Fecam… Acho que assim temos uma base: transporte, segurança e meio ambiente, formando um tripé sustentável. Claro que é necessário a participação das comunidades, das faculdades (do saber acumulado) e da parceria privada. Uma parte do material dragado pode ser usado para nivelar os terrenos dessa região, por exemplo. O Carvalho Hosken já se dispôs a colocar recursos para a dragagem”, adiantou.
 
Minc enfatizou a importância de se recuperar espaços gastronômicos, de lazer e apostar em centros culturais. “As milícias ditam a lei, ameaçam pessoas e loteiam na marra. A violência tem caído, à exceção dos locais onde milícia tem poder forte. Então, falta urbanizar o que tem que ser urbanizado e desarmar a milícia. Também é necessário mudar a mentalidade das pessoas através da educação ambiental”, finalizou. 

Fonte: Tatiana Couto – Editora AIB

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