Prefeitura do Rio desenvolve potencial de alunos superdotados da rede municipal

O superdotado apresenta três traços: habilidade acima da média em alguma área de conhecimento, comprometimento com a tarefa e criatividade
 

Distração, impaciência e desinteresse de um aluno em sala de aula podem ser interpretados como dislexia, déficit de atenção ou outros transtornos de aprendizagem. Porém, essas características também são indicativas de uma criança que possui altas habilidades, mais conhecida como superdotada. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo menos 3% da população mundial tem altas habilidades, mas o diagnóstico não é simples porque os sinais podem ser confundidos com transtornos de atenção e aprendizagem. Em 2014, a Secretaria Municipal de Educação (SME) identificou 422 alunos com algum grau de superdotação na rede municipal de ensino.

 

 

 

De acordo com o Conselho Brasileiro para Superdotação (Conbrasd), o superdotado apresenta três traços: habilidade acima da média em alguma área de conhecimento, comprometimento com a tarefa e criatividade. O passo mais difícil é a identificação desses alunos, já que eles não gostam de chamar atenção e muitas vezes manipulam as próprias notas para que não sejam vistos como especiais. Para ajudar nessa tarefa, a secretaria fez uma parceria com a UFF e cerca de 200 professores e coordenadores pedagógicos de todas as 11 Coordenadorias Regionais de Educação (CREs) foram capacitados para identificar um aluno superdotado.

 

 

– A rede municipal conta com diversos alunos com algum grau de superdotação. Todos os anos, alguns são identificados por nossos professores e encaminhados aos institutos especializados para que possam ser avaliados, selecionados e recebam acompanhamento ao longo da sua vida acadêmica. No ano passado, 330 estudantes foram selecionados para receber acompanhamento por apresentarem um alto nível intelectual. Além disso, professores da rede municipal, capacitados pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014, identificaram outros 92 alunos classificados com altas habilidades, que foram direcionados este ano para salas de recursos multifuncionais da própria SME – explicou a secretária municipal de Educação, Helena Bomeny.

 

 

 

 

A legislação prevê – na Lei de Diretrizes e Bases e na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva – que alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) são pessoas com necessidades educacionais especiais e devem receber Atendimento Educacional Especializado (AEE), em sala de recursos multifuncionais ou em outros espaços.

 

 

A prefeitura possui cerca de 400 salas de recursos que fornecem equipamentos de informática, materiais didático, pedagógicos e diferenciados, além de profissionais preparados especificamente para o atendimento às diversas necessidades educativas especiais. Os alunos superdotados frequentam essas salas duas vezes por semana, no contra turno.

 
 
 
 

 

Professora da rede municipal há 32 anos e trabalhando nas salas de recursos há 25, Claudia Feijó realiza o acompanhamento pedagógico de nove alunos com altas habilidades na Escola Municipa
l José de Alencar, em Laranjeiras. Além do trabalho realizado dentro de sala, ela estimula os alunos com visitas para espaços culturais, como o Centro Cultural Banco do Brasil e o Museu de Arte Moderna, e científicos, como a Casa da Ciência da UFRJ.

 

 

 

– São esses alunos acima da média que vão fazer a diferença maior na sociedade, portanto precisam receber acompanhamento especial para que seus potenciais sejam aproveitados. Faço um trabalho conjunto que envolve também os professores deles da escola e os familiares, sempre desenvolvendo atividades variadas de acordo com os interesses e habilidades de cada um – explicou a professora.
 

 

Após identificados, os estudantes superdotados são encaminhados para o diagnóstico por meio de provas e entrevistas em institutos especializados, como Ismart, Ilecca, Instituto Rogerio Steinberg e o Instituto Helena Antipoff (IHA), centro de referência em Educação Especial da rede municipal do Rio de Janeiro. Os que são classificados com o maior grau de superdotação são encaminhados para a sala de recursos da sua unidade escolar ou da mais próxima, caso a escola ainda não tenha sala de recursos.

 

 

 

Nas salas de recursos os alunos superdotados têm acesso à complementação pedagógica, além de aprender a trabalhar em grupo, ser mais organizados, autônomos e a lidar com as dificuldades, como com as habilidades motoras que, geralmente, são menos desenvolvidas do que as intelectuais. Os professores dessas salas também dão orientações para que os professores do ensino fundamental  proponham atividades diferenciadas em sala de aula, com níveis de dificuldade maior para que eles não percam o interesse.

 

 

 

Joana Malta Gomes é mãe de Francisco Gomes de Castro, 8 anos, que estuda na E.M. José de Alencar e foi identificado como superdotado. Quando descobriu as habilidades especiais do filho não teve dúvida: tirou-o da escola particular em que ele estudava e o matriculou na rede municipal para que recebesse o atendimento especial na sala de recursos. Ela conta que os professores do antigo colégio de Francisco não sabiam lidar com a situação e que está muito satisfeita com o novo ensino do filho:

 

 

– Matriculei meu filho na rede municipal porque fiquei sabendo do excelente trabalho realizado com crianças como o Francisco. Desde agosto de 2014, ele frequenta as aulas na sala de recursos no contra turno e percebo que está muito mais motivado e comprometido com as aulas regulares. Antes ele não queria frequentar a escola, porque aprendia muito mais rápido que os outros alunos e não se sentia estimulado, mas agora mudou e até ajuda os amigos em sala de aula.