Prefeitura não poupará esforços para identificar responsáveis por acidente na Ciclovia da Niemeyer

O presidente da Geo-Rio, Márcio Machado, foi afastado do cargo, a seu pedido. A empresa, vinculada à Secretaria Municipal de Obras, é responsável pela contratação e fiscalização da obra
 

 

 

No dia 22 de abril, o prefeito Eduardo Paes Centro de Operações, na Cidade Nova, se reuniu com representantes da Prefeitura do Rio envolvidos na apuração do desabamento de trecho da Ciclovia da Niemeyer e com a imprensa e se solidarizou com as famílias das vítimas – que, a pedido da prefeitura, estão recebendo toda a assistência do consórcio responsável pela obra da ciclovia – e disse que não poupará esforços para identificar os responsáveis pelo acidente.

 

 

 

Na noite de quarta, dia 20, o prefeito viajou para a Grécia – onde participaria da solenidade de passagem da Tocha Olímpica – e estava em deslocamento quando foi avisado da queda, ocorrida na manhã de (21/04). 

 

 

– Vamos encontrar os responsáveis, que certamente não são a natureza. Faremos todos os esforços para que todos, dentro ou fora da prefeitura, respondam por seus atos. Acidentes não acontecem por acaso, mas por equívocos cometidos. Entendemos que tudo deve ser feito com muito estudo e dedicação. Não se trata de um acidente fortuito. É algo inaceitável, inadmissível – disse Paes, afirmando que a empresa Concremat será severamente punida se for considerada responsável:

 

 

– Trata-se de uma empresa que tem tradição nesse tipo de obra, operando com questões mais complexas de engenharia. Ela trabalha muito com a Geo-Rio, especialmente em obras complexas de encostas e viadutos. Até essa experiência de agora, ela tem cumprido com suas funções. Mas responderá pelos seus atos se tiver cometido equívocos nessa ou em qualquer outra obra da prefeitura.

 

 

O prefeito explicou ainda que as causas do acidente não devem ser atribuídas a uma eventual pressa na execução da obra, uma vez que a ciclovia foi entregue cerca de seis meses após o previsto. A prefeitura contratou uma auditoria independente, formada pela Coppe/UFRJ e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), para a realização de perícia sobre os aspectos estruturais e variáveis marítimas em toda Ciclovia da Niemeyer e investigação das causas do acidente.

 

 

As duas instituições estenderão as análises para a ciclovia do Joá, que está em fase final de construção. Os estudos também apontarão medidas a serem implementadas pela prefeitura para aumentar a segurança nas obras costeiras e na revisão de protocolos de ação para utilização das vias em situações de extremos climáticos, como na ocorrência de ressacas.

 

 

 

– Nossa preocupação sempre foi a segurança. Temos, provavelmente, um problema estrutural, além de um não encaminhamento, por órgãos da prefeitura, de uma operação necessária para uma ciclovia com aquelas condições. Agora parece meio óbvio que deveria ter sido feito um plano para aquela ciclovia, uma recomendação de que aquele espaço não deveria ser utilizado.

 

 

Enquanto os laudos sobre o acidente não forem finalizados a ciclovia permanecerá totalmente interditada. A Avenida Niemeyer já teve suas duas pistas liberadas para o trânsito na noite de hoje.

 

 

Sobre a liberação da ciclovia, Paes garantiu que só será realizada após constatada total segurança para a população:

 
 
– O mais grave é que tivemos vítimas e isso não pode acontecer. Como prefeito, eu me sinto responsável pela decisão de fazer a obra, e também pelo fato de pessoas que trabalham ao meu lado terem, provavelmente, falhado. Por isso, nosso objetivo é, antes de liberarmos, que se faça uma checagem para que as pessoas tenham mais tranquilidade e que se crie normas de procedimento. 
 
 
 

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