Primavera abre novas oportunidades de negócios

Primavera abre novas oportunidades de negócios
 
Começou na quinta-feira (23/9) e se estende o dia até 21 de dezembro, no Hemisfério Sul, a estação mais colorida e perfumada do ano: a primavera. Nesse período, em que ocorre o florescimento de várias espécies de plantas, também é sinônimo de novas oportunidades de negócios. E, aqui no Estado do Rio de Janeiro, em função da diversidade climática que o diferencia de outras regiões do país, a chegada da primavera também é motivo para comemoração, uma vez que essa temporada propicia o cultivo comercial de uma grande variedade de espécies.
 
Em relação a outros estados da federação, a floricultura fluminense conta com características singulares, tais como forte concentração geográfica, localização estratégica e produção variada. Tais vantagens, somadas à inexistência de concorrência entre as principais zonas de produção, favorecem o pleno desenvolvimento econômico e sustentável do setor.
 
A estação das flores, quando a natureza fica mais bela e presenteia a todos com flores coloridas e suaves fragrâncias no ar, é um período que registra variações significativas de temperaturas, chuvas amenas e dias mais longos. E, essa combinação favorece as brotações florais de múltiplas variedades de plantas, principalmente de espécies tropicais.
 
No Rio, a importância econômica da atividade se traduz no volume de recursos que ela gera, em torno de R$ 800 milhões/ano, ao mesmo tempo em que contribui para o desenvolvendo dos municípios onde são cultivadas flores de corte e plantas ornamentais. Segundo censo da floricultura fluminense, a atividade é responsável por cerca de quatro mil empregos diretos e 30 mil indiretos em 52 municípios do estado.
 
A principal zona de produção do estado, a Região Serrana concentra 60% dos produtores de flores de corte, incluindo rosas, crisântemos, gérberas, tangos, gypsophilas e copos de leite, de clima temperado, com destaque para Nova Friburgo, com 220 produtores, Bom Jardim, 148, e Petrópolis, 70 floricultores. A região é responsável pela comercialização de oito milhões de maços/dúzias de flores/ano.
 
A segunda área de produção mais significativa é a Região Metropolitana, com o cultivo comercial de flores e folhagens tropicais. A cidade do Rio de Janeiro lidera o ranking, com 300 floricultores, seguida de Itaboraí, com 60. A região responde por 30% dos produtores fluminenses de helicônias, alpinias, musas e gengibre ornamental, além de dracenas, pleomelias e murtas, e plantas ornamentais para paisagismo e jardinagem. Os 10% de floricultores restantes se concentram nas zonas emergentes de produção, Noroeste e Sul.
 
Programa Florescer – Nos últimos cinco anos, o programa de assistência técnica, pesquisa, crédito rural e benefício fiscal, da Secretaria de Estado de Agricultura, voltado para produtores de flores e plantas ornamentais já aplicou mais de R$ 1,2 milhão em financiamentos para a produção. Através da Agência de Fomento (InvesteRio), 27 produtores contraíram R$ 1 milhão do Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social (Fundes), enquanto 36 produtores recorreram ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para o financiamento de R$ 578 mil em floricultura.
 
Em princípio, o programa Florescer está ligado à primavera porque trabalha, basicamente, com as espécies que simbolizam a estação: as flores. Segundo produtores rurais que comercializam no Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara – Cadeg, a produção fluminense já abastece o mercado, com participação em torno de 60% da oferta global, graças à implementação do Programa Florescer. Até 2005, essa participação ficava em torno de 20%.
 
– Hoje, o Rio só perde na oferta de flores envasadas, ainda sob o domínio de São Paulo. Entretanto, o estado já se prepara para reverter isso – adiantou a coordenadora do Programa Florescer, Nazaré Dias.
Como parte das ações de incentivo à produção e aumento da oferta de flores, bem como o desenvolvimento de novas cultivares, o Florescer realiza cursos de extensão e programas de capacitação de mão de obra em parceria com prefeituras, sindicatos e entidades, como o Serviço Nacional de Aprendizado Rural (Senar).
 
– Os participantes têm a oportunidade de conhecer novas técnicas, por exemplo, de manuseio das flores, que capacitam o floricultor em tecnologias de produção, que valorizam o produto e criam oportunidades de trabalho – explica Nazaré Dias, lembrando que também, entre outros, são ministrados cursos de arte floral, paisagismo e jardinagem para profissionais ligados ao setor de forma a aumentar as demandas dos produtos cultivados no estado.
 
A floricultura é uma atividade extremamente rentável. A maioria dos produtores são agricultores familiares e vive exclusivamente da produção comercial ou, paralelamente de alguma atividade afim, como destaca o produtor Guilherme Coelho, da ItaFlores, associação de Itaboraí que reúne 15 floricultores.
 
– Hoje já é possível sobreviver da floricultura, apesar dos gargalos existentes e que ainda limitam o desenvolvimento da atividade no estado. Por isso, muitos produtores fornecem atividades vinculadas, como paisagismo e jardinagem, para complementar a renda – explicou Coelho, acrescentando que entre outras deficiências do setor está a falta de espírito cooperativista dos profissionais e estrutura de comercialização, além da carência de técnicos com domínio de conhecimento em floricultura, o que dificulta o atendimento de produtores com relação à assistência técnica.

Fonte: Governo do Rio

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