Rio está preparado para dobrar a capacidade de atendimento em relação a Londres – 2012

Uma matriz de responsabilidades para os Jogos foi definida em que cada ente do SUS (Sistema Único de Saúde), das três esferas de poder, tem sua participação delimitada
 

O planejamento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para os Jogos Olímpicos prevê cerca de 22 mil atendimentos dentro das instalações olímpicas, o que representa o dobro do total de pessoas que buscaram atendimento em Londres – 2012, quando cerca de 11,3 mil pessoas foram socorridas durante o período de competições.

 

 

Os hospitais de referência serão da rede municipal e foram estabelecidos de acordo com as regiões de competição, mas todas as unidades da SMS funcionarão normalmente durante todo o período dos Jogos, para o atendimento à população e aos visitantes em casos de pequenas emergências.

 

– O Hospital Souza Aguiar será a unidade de referência para a região do Maracanã e o Centro; o Hospital Salgado Filho atenderá o Estádio Olímpico (Engenhão) e Zona Norte; o Hospital Miguel Couto servirá para a região de Copacabana e Zona Sul; o Hospital Albert Schweitzer ficará com Deodoro; e para a Barra da Tijuca teremos o Hospital Lourenço Jorge e a Coordenação de Emergência Regional Barra – explicou o secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz.

 

 

 

Já o Ministério da Saúde disponibilizou 135 leitos nos hospitais e institutos federais localizados no município. Esses leitos servirão de retaguarda, para transferência dos pacientes internados na rede municipal, liberando vagas nos hospitais de referência olímpica.

 

 

 

A cidade também receberá reforço de mais de 140 ambulâncias doadas pelo Ministério da Saúde e que serão operadas pela Secretaria Estadual de Saúde, caso haja necessidade de remoções de pacientes para alguns dos 235 leitos de retaguarda (135 em hospitais federais, outros 50 na rede estadual e mais 50 na municipal). 

 

– Esse número atende a demanda de todas as federações internacionais dos esportes. Esperamos uma média de 50 remoções por dia e um pico de 126, em dias de maior movimento – afirmou a subsecretária-geral da Secretaria Estadual de Saúde, Hellen Miyamoto.

 

 

 

Os Jogos são um evento privado e, como tal, cabe ao organizador, o Comitê Rio 2016, a implantação dos postos de atendimento pré-hospitalar dentro do perímetro de segurança dos equipamentos olímpicos, assim como da Policlínica Olímpica, dentro da Vila dos Atletas, na Barra da Tijuca, para atender à família olímpica (atletas, comissões técnicas, membros das delegações e força de trabalho). Para os casos de necessidade de internação de integrantes da família olímpica, o Comitê Rio 2016 firmou convênio com dois hospitais privados.

 

O planejamento da SMS é dividido em três componentes: promoção da saúde, vigilância epidemiológica e assistencial. No segmento da promoção da saúde, o material de orientação está sendo elaborado em quatro línguas (português, espanhol, inglês e francês), em conjunto com a Riotur e o Comitê Rio 2016, e traz informações sobre saúde do viajante, acesso a água potável, necessidade de uso de filtro solar, proibição do fumo em áreas fechadas e estádios.

Durante todo o período dos Jogos, a Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde estará em alerta pela possibilidade de novas doenças. A preocupação é proteger a população, aumentando a cobertura vacinal para doenças já erradicadas na cidade – como sarampo, rubéola e poliomielite, entre outras – mas ainda circulantes em outros países. Também há a iniciativa de aumentar a cobertura vacinal para a gripe, pois os Jogos acontecem nos meses de inverno e a doença, nesta época, é a principal causa de internações.

Todos os profissionais da Secretaria Municipal de Saúde estarão em plena atividade no período olímpico para atender a demanda da cidade e dos visitantes e os hospitais da rede receberão reforços de recursos humanos, prevendo aumento de atendimento. Eles receberam também informações sobre as doenças de notificação compulsória e os telefones de contato do Centro de Informações Estratégicas e Vigilância em Saúde (CIEVS). A estratégia visa à identificação precoce de doenças que podem causar riscos à saúde pública no período olímpico. 

 

Também caberá à SMS monitorar os pontos de alimentação nas áreas olímpicas e fiscalizar a implantação dos postos de atendimento de pré-hospitalar dentro do perímetro de segurança dos equipamentos olímpicos, que serão de responsabilidade da Rio 2016, além do atendimento hospitalar dos visitantes da cidade, da mesma forma que ocorre no Réveillon e no Carnaval. Para tanto, estão sendo executadas obras estruturantes em algumas das principais unidades de pronto atendimento.

 

 

O Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, foi totalmente climatizado e teve reformada a sala de atendimento para múltiplas vítimas. Além disso, recebeu como doação da General Electric (GE), patrocinadora oficial dos Jogos Olímpicos, a renovação de seu parque tecnológico – novo tomógrafo, equipamentos do centro cirúrgico, respiradores, aparelho de ultrassonografia, macas, entre outros. Já o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, recebeu reforma da sala de trauma e três leitos de isolamento para pacientes em caso de suspeita de introdução de alguma nova doença. O Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, teve toda a sua Emergência reformada e reestruturada, além de passar por intervenções em vários outros setores, como nas enfermarias.

 

Todas as obras realizadas nas unidades públicas de saúde para os Jogos e os equipamentos usados ficarão de legado olímpico para a população do Rio de Janeiro.

 

 

Com relação ao combate ao mosquito transmissor da zika, dengue e chikungunya, somente nos seis primeiros meses deste ano, os trabalhos rotineiros representaram 5,9 milhões de visitas realizadas em imóveis para busca e eliminação de possíveis focos. Durante todo o período dos Jogos, as instalações olímpicas também serão vistoriadas ininterruptamente. Desde abril, todas têm pelo menos um agente de vigilância ambiental de saúde credenciado e fixo.

 

 

Equipamentos de dimensões maiores e com cronograma de atividades mais extenso têm até três agentes fixos. Eles atuam diariamente na busca, eliminação ou tratamento de depósitos que possam se tornar potenciais focos do mosquito. Além dos agentes credenciados para atuar dentro das instalações olímpicas, também há equipes de vigilância ambiental em saúde trabalhando nos arredores, para o controle do Aedes aegypti em toda a região.

 

Assim como as demais arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti, a zika é uma doença de maior incidência nos meses mais quentes do ano, nos quais as condições do meio ambiente favorecem o desenvolvimento e a proliferação do mosquito. A partir da transição do outono para o inverno, de maio até setembro, nos meses mais frios do ano e de menor presença do vetor, o número de casos das doenças transmitidas pelo inseto apresentam tendência de queda.

 

 

 

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