Unidades escolares prisionais e socioeducativas ensinam a reciclar bicicletas

O projeto também desenvolve a consciência ambiental, pois apresenta a esse público uma alternativa de transporte limpo, entretenimento e esporte
 

Setenta e cinco detentos do Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho ganharam a esperança de uma vida melhor quando estiverem em liberdade. O grupo participa de um projeto inédito, o Recicleta, que leva capacitação profissional às unidades de abrangência da Diretoria Especial de Unidades Escolares Prisionais e Socioeducativas (Diesp): Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho, Penitenciária Industrial Esmeraldino Bandeira e Instituto Penal Benjamin de Moraes Filho.

Desde dezembro, os internos do sistema semiaberto recebem aulas de capacitação básica em montagem e manutenção de bicicletas. O objetivo do projeto, uma parceria da Secretaria de Estado de Transportes (Setrans) com a Secretaria de Educação (Seeduc), é que eles possam empreender e gerar renda quando receberem a liberdade condicional ou a acomodação extramuro.

 

– O Recicleta trouxe a esperança de nós os qualificarmos de maneira simples. Além de interessante, o curso tem um significado maior para eles, porque estão aprendendo uma profissão para ganharem um dinheiro não muito complicado quando estiverem fora da unidade – elogia a diretora Rosangela Barreto, do Colégio Estadual Escritor e Jornalista Graciliano Ramos, que fica alocado no Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho.

 

O projeto teve um módulo teórico, com palestras sobre empreendedorismo para cerca de 360 alunos, em dezembro, e outro prático, para 25 alunos de cada unidade com previsão de saída ainda neste mês de fevereiro, no qual aprenderam com instrutores da Setrans a confeccionar bicicletas com peças usadas e recicladas. O conteúdo – desde as ferramentas necessárias, conserto de freio e enchimento de pneus – está no material didático com passo a passo. A última etapa é um módulo de pesquisa com três horas de duração.

 

Os participantes vão ganhar certificados de ambos os módulos e uma oportunidade de trabalho temporário para a confecção das cerca de 7 mil bicicletas do evento World Bike Tour, da Setrans, que acontecerá em março. A intenção é que o Recicleta tenha continuidade. Na unidade de Rosângela, já há uma fila de espera com cerca de 30 alunos que também querem se capacitar. O curso representa a possibilidade de se tornarem ajudantes, montarem uma oficina ou uma loja.

 

– Muitos estão sem ver a rua há muito tempo. Até mesmo a tecnologia das aulas é uma novidade para eles. E eles se sentem importantes com a presença de um projeto que se preocupa com o bem estar deles ao retornarem à sociedade; fazem tudo para agradar, se empenham, ficam ansiosos pela aula, tiram cópia do material para usarem mais tarde – comenta a diretora, para quem toda iniciativa que os ensine a fabricar algo para conseguirem o sustento, como um artesanato simples, é bem-vinda.

 

O projeto também desenvolve a consciência ambiental, pois apresenta a esse público uma alternativa de transporte limpo, entretenimento e esporte. As bicicletas montadas serão doadas, contribuindo para a mobilidade no estado.

 

Para Luciana Rodrigues, da Coordenação de Esportes, Cultura, Protagonismo Juvenil e Escola Aberta da Seeduc, o projeto motivou e aumentou a autoestima dos participantes.

 

Governo do Rio

0 comentários

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.