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    Alunas da Escola de Música Villa-Lobos investem na carreira de compositoras

    Rio de Janeiro - 19.03.2019 - Alunas de destaque na Escola de Música Villa Lobos. Foto Nelson Perez Thais Natalia Bruna

    Instituição oferece ensino musical básico, além de cursos profissionalizantes

    Além de belas vozes, as alunas da Escola de Música Villa-Lobos, equipamento da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, estão desenvolvendo outro talento: a autoria musical. As compositoras participaram do Festival da Canção (FestVilla), tradicional evento da instituição para músicas inéditas e de diferentes estilos e gêneros. Em 2018, o FestVilla chegou à 17ª edição com grande adesão do público feminino e consagrou Clara Mitra como a vencedora de melhor canção pelo voto popular.

     

    – Tenho gratidão infinita pelo FestVilla, pois é uma forma de impulsionar os artistas. Toda porta que abre para a arte é valiosa. Foi muito rica a experiência, porque ganhei através do voto popular com a música “Para amor tecer”. Foi maravilhoso. Nunca havia me apresentado em teatro e, mesmo nervosa, ali era o único lugar em que eu queria estar – comemorou Clara, de 21 anos, aluna de canto do Curso Básico e da Oficina de Percussão do Mestre Riko.

     

    Clara, que nasceu no Rio de Janeiro, mas já morou no Nordeste, explica como surgiu o interesse pela música e quais são as principais influências em suas canções.

     

    – Meu pai vem de uma família de músicos. Ele tem uma grande sensibilidade e tive o contato com a música logo nos meus primeiros passos. Comecei de forma amadora, quando veio a sede de aprender mais. Já gostava de compor e escrever e, quando morei no Recife, tive contato com a forma de escrita dos cordéis, que são bem musicados. E, assim, comecei a querer colocar som no que eu escrevia – descreveu Clara.

     

    Bruna Matos, de 26 anos, conquistou o segundo lugar no Festival, com a música “Mil beijos”. A apresentação, apenas voz e violão, encantou os jurados. Atualmente, a cantora se apresenta em bares e restaurantes e busca viver da arte e levá-la como profissão.

     

    – Acredito que eu não consiga viver sem a música e estou na Villa-Lobos exatamente para aprofundar os meus estudos. Sigo me aprimorando no violão e no canto e quero me profissionalizar – afirmou Bruna, que é formada em Letras, tem como inspiração Joyce Moreno e totaliza cerca de 40 composições autorais.

     

    De Uberlândia para a Villa-Lobos

     

    Uma mudança radical. Thais Moura, natural de Uberlândia (MG), tem formação em Direito, mas o talento para a música falou mais alto. Há dois anos no Rio de Janeiro, a jovem, de 28 anos, está se descobrindo em uma nova carreira.

     

    – Participei de um festival na escola quando eu era pequena. Fiz uma paródia de uma música da Marisa Monte, onde tirei em segundo lugar, que, para mim, já foi ótimo. Já na faculdade, cantava informalmente para meus amigos, que elogiavam a minha voz. Comecei a fazer aulas de canto e montei banda. A Escola Villa-Lobos é símbolo dessa minha transformação de vida – revelou Thais, que também participou do FestVilla com a canção “Estamos aqui”, que expressa o desejo de ver mais mulheres na indústria musical:

     

    – Minhas grandes referências na música vão desde Dolores Duran e Ângela Maria até ao sertanejo-raiz feminino. A mulher precisa de mais representatividade na música e não somente como cantora, mas na produção, no áudio, na técnica, em todos os aspectos.

     

    Cursos Profissionalizantes

     

    A Escola de Música Villa-Lobos também é reconhecida como formadora de profissionais para o mercado de trabalho. É o caso de Natalia Petrutes, aluna de composição e arranjo. Com experiência em compor trilhas sonoras para eventos culturais e de entretenimento, ela está com planos para criação de trilhas para cinema.

     

    – Pela Villa-Lobos, participei da criação coletiva de uma trilha sonora do espetáculo “Momentos Rio 2018”, na Cidade das Artes. Também já compus uma trilha para a apresentação de dança contemporânea, que ficou em cartaz no Teatro Gonzaguinha. Quero seguir trabalhando com trilha sonora, sobretudo com o meu estilo, que é o contemporâneo. Estou com um projeto de cinema em que vou compor para um longa sobre diretoras de fotografia. A mulher na música é fundamental, pois quando eu entrei, era eu e mais uma no curso de composição. O mercado ainda é fechado – declarou Natalia.

     

    A Escola de Música Villa-Lobos é um espaço vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa/FUNARJ e soma cerca de dois mil alunos na sede no Centro do Rio.