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Artes marciais contra estresse no trabalho

Nem uma ruptura no músculo do peitoral afastou o superintendente de Tecnologia da Informação da Secretaria de Educação, Marcelo Viana, de sua maior paixão, a arte marcial. Praticante de caratê há 22 anos e de jiu jitsu há cinco, ele se machucou durante uma competição em 2009, mas garante que vai continuar no esporte “até o corpo não aguentar mais”. Principalmente porque a dedicação e a concentração, habilidades que a luta ajudou a desenvolver, são essenciais para minimizar o estresse no trabalho.

Na secretaria desde 2008, o superintendente coordena uma equipe responsável por projetos como o Conexão Professor, o Conexão Aluno e a Pré-Matrícula na rede estadual. O emprego, que muitas vezes ocupa mais tempo que as habituais oito horas do expediente, é conciliado com o treinamento diário. Segundo Marcelo, o esporte o ajuda a ter mais disposição.

– Pratico caratê às segundas, quartas e sextas e jiu jitsu às terças, quintas e sábados, sempre antes do trabalho. É bom para aliviar o estresse e gastar a energia excedente. Mas o que mais me atraiu foi a filosofia que existe por trás da prática, que preza o respeito pelo corpo e pelo espaço do outro, além de se nortear na dedicação e na vontade de vencer, lições que levo para a vida profissional – avalia Marcelo.

Amante de esportes, ele teve contato com o caratê ainda na infância, mas só começou a praticar com 21 anos, a contragosto do pai. Faixa preta desde 2000, conquistou o primeiro lugar no campeonato estadual de 2005 e em um torneio regional em 2007. Há cinco anos, seu mestre o aconselhou a deixar de lado o preconceito e investir também no jiu jitsu.

– Nunca gostei de jiu jitsu porque os adeptos eram considerados brigões. Mas acabei assistindo algumas aulas na academia onde treino, na Tijuca, me interessei e já estou na faixa marrom. Mas nunca usei meus conhecimentos para entrar em briga, pelo contrário. Não acho que isso seja artifício para me mostrar superior a alguém.

O superintendente diz que costuma fugir de provocações, mesmo quando os próprios amigos o incentivam a pôr em prática os ensinamentos que aprendeu.

– Numa ocasião, estava em um bar e um homem queria brigar comigo por causa de uma garota. Virei as costas e ele começou a me xingar. Meus amigos me perguntaram se eu não ia reagir. Eu já era faixa preta e tinha consciência de que, se lutasse, poderia machucá-lo, então fui embora. Se você souber aplicar o golpe correto com a intensidade de força necessária, é possível derrubar e até matar uma pessoa, mas não é com esse fim que pratico arte marcial.

Depois de tentar convencer, sem sucesso, o filho de 13 anos a aderir à luta, Marcelo passou a incentivar os colegas de trabalho. Ele explica que não é preciso ter aptidão: o caratê, por exemplo, trabalha simetricamente os dois lados do corpo e ajuda a desenvolver a coordenação e o equilíbrio.
– Também não cabe discriminação dentro do esporte; treinei por muitos anos com um rapaz que não tinha um dos braços e já vi muitos casos de pessoas cegas e com síndrome de down que se saíram muito bem – afirma.

Para ele, existe uma grande resistência às artes marciais porque muita gente considera o esporte violento e não tem predisposição para considerar eventuais acidentes. O superintendente já teve um dedo quebrado e rompeu o músculo do peitoral, em 2009.

– Tive hemorragia interna por dois meses e o médico me proibiu de lutar. No lugar do músculo, tenho apenas poucas fibras, mas esse problema não me traz prejuízos para a vida pessoal nem profissional. Na luta, não posso dizer que estou 100%, afinal já tenho 47 anos. Mas vou continuar lutando jiu jitsu até os 60, pelo menos, e caratê, até chegar o dia em que eu não conseguir mais fazer os golpes – acredita Marcelo Viana.

Fonte: Governo do Rio