Início Plantão Brasil Brasileiro fuzilado na Indonésia é velado em funerária de Jacarta

Brasileiro fuzilado na Indonésia é velado em funerária de Jacarta

Após a execução, um agente funerário descreveu que tanto os australianos do Bali Nine Andrew Chan e Myuran Sukumaran quanto os outros seis executados pela Indonésia na terça-feira, dia 28, pareciam estar em “paz”. As informações são do site australiano “The West Australian”.   

 

 

 

Uma testemunha afirma que os dois australianos, quatro nigerianos, um indonésio e o brasileiro saíram se suas celas na ilha de Nusakambangan e andaram até uma clareira na floresta, onde as execuções foram cumpridas. Todos se negaram a colocar a venda nos olhos e enquanto seguiam rumo a morte, entoaram cânticos religiosos, entre eles o famoso “Amazing Grace”, até o pelotão iniciar os disparos.

 

 

 

 

Em Cilacap, cidade que dá acesso à ilha-prisão de Nusakambangan, ativistas se reuniram com velas e cartazes pouco antes da execução pedindo o fim da prática e cantando “Amazing Grace”.

 

 

 

Christie Buckingham, pastora que acompanhou um dos australianos até pouco tempo antes da execução, explicou que os condenados tiveram “força e dignidade até o fim”. Enquanto caminhavam rumo ao pelotão, os presos entoaram cantos religiosos quase em uma só voz.

 

 

 

A Anistia Internacional qualificou como “reprovável” a execução dos condenados na Indonésia, denunciando como total falta de consideração pelo processo legal e salvaguarda dos direitos humanos.

 

 

 

A organização lembrou que as execuções ocorreram apesar de pelo menos dois recursos terem sido aceitos pelos tribunais locais, e lamentou que os pedidos de clemência tenham sido rejeitados.

 

 

 

“As execuções são totalmente reprováveis. Foram feitas com uma total falta de consideração pelas salvaguardas reconhecidas internacionalmente para o recurso à pena de morte”, disse o diretor da Anistia para a Ásia-Pacífico, Rupert Abbott.

 

 

 

Segundo a organização, vários condenados não tiveram acesso a advogados competentes ou intérpretes durante a detenção e na fase inicial do julgamento.

 

 

A Anistia denunciou também que um dos condenados, o brasileiro Rodrigo Gularte, foi executado ainda que tenha sido diagnosticado com esquizofrenia, sendo que a lei internacional “claramente proíbe” o recurso à pena de morte para pessoas com incapacidades mentais.

 

 

 

Charles Burrows, padre responsável por acalentar o brasileiro Rodrigo Gularte, contou que o preso acreditou até o fim que teria a vida poupada, e que ele falava com animais e tinha medo de “satélites que os vigiariam do céu”. 

  

 

 

Por meio de nota assinada pela presidente, Dilma, o secretário-geral do Itamaraty, Sérgio Danese expôs o desgaste na relação entre os dois países.