Início Plantão Brasil Cesta básica está em queda

Cesta básica está em queda

 Os produtos da cesta básica ficaram mais baratos em julho, na comparação com o mês anterior, em 14 das 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em relação ao mesmo período do ano passado, o valor da cesta caiu em 15 capitais.

A maior queda foi constatada em Goiânia, onde o consumidor pagou em julho 8,11% menos do que pagava em junho último. Em Goiânia, o valor da cesta ficou em R$ 195,55, acumulando no ano queda de 6,63% e, nos últimos 12 meses, de  4,25%. Entre as demais capitais com quedas expressivas destacam-se o Rio de Janeiro, com menos 3,78% e custo de R$ 211,88; Fortaleza, com menos de 3,47% e valor de R$ 182,12; e Curitiba, com menos 3,19 e custo de R$ 206,71.

A cesta mais cara foi a de Porto Alegre, com custo de R$ 237,45, mas com queda de 2,55% na variação mensal e de 6,83% sobre o mesmo período de 2008. Em São Paulo, o valor caiu para R$ 227,17, com menos 0,41%. Comparada ao resultado de julho do ano passado, no entanto, a queda é mais significativa: 9,90%.

O economista José Maurício Soares, responsável pela pequisa do Dieese, disse que a boa oferta de produtos no mercado interno justifica a queda no valor das cestas. Soares ressaltou que os preços vêm apresentando movimento de baixa há dois anos. Em 2007, a estiagem provocou escassez de alguns produtos e preços em alta despertaram o interesse dos produtores, que ampliaram a área plantada e, com o clima mais favorável na safra seguinte, houve boa colheita, lembrou o economista.

Soares apontou ainda a demanda em baixa para o mercado externo em razão da crise financeira internacional como fator que contribuiu para queda de preços de  alguns itens como, por exemplo, o óleo de soja. Esse produto teve cotação média inferior à de junho em 16 capitais, com variações mais expressivas em Vitória, com menos 6,32%; Fortaleza, com menos 4,78%; Belo Horizonte, com menos 4,28%; e Belém, com menos 4,27%.

Em relação à carne, que tem mais peso na cesta básica, a pesquisa mostrou queda de preço em nove capitais, com destaque para Goiânia (-5,86%) e Natal (-2,45%). Com a pastagem afetada pela seca em parte do Sudeste e, principalmente, no Centro-Oeste, isso elevou o preço do produto em oito localidades. As maiores altas foram em Aracaju (4,47%) e em Brasília (2,23%).

O preço do tomate, que também caiu em 16 capitais, chegou a ficar em até 32,76% mais barato em Goiânia. As baixas foram expressivas também em Fortaleza (-23,15%), Rio de Janeiro (-21,15%) e Vitória (-20,09%). O arroz teve queda em 13 capitais, com destaque para Brasília (-8,13%), Belo Horizonte (-4,46%) e Goiânia (-4,12%). O preço do feijão, no entanto, subiu em 16 capitais, assim como o do leite e o da manteiga. O feijão ficou mais caro em Fortaleza (11,50%), São Paulo (9,77%), Recife (9,49%) e Belo |Horizonte (8,36%).

A pesquisa mostrou que o trabalhador que mora na cidade de São Paulo e ganha salário mínimo comprometeu 107 horas e 29 minutos da sua jornada com a compra dos produtos da cesta básica. Esse tempo foi um pouco menor do que o de junho (107 horas e 55 minutos) e bem inferior ao de julho de 2008 (133 horas e 40 minutos). Para esse trabalhador, o custo da cesta atingiu 53,10%, percentual ligeiramente inferior ao de junho, que foi de 53,32% e significativamente menor do que de 12 meses atrás (66,04%).
 

Fonte: Agência Brasil