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Cidade de Deus é primeira comunidade pacificada a ganhar polo comercial

 

 

Criado para dar voz aos moradores na tentativa de atender às suas principais demandas, o programa Territórios da Paz, da Secretaria de Assistência Social e Direitos, comemora os primeiros resultados. Após um ano de articulação junto ao grupo de trabalho de comerciantes locais para a articulação de uma associação, a Cidade de Deus inaugurou, no dia 30 de maio, seu polo comercial Inova Cidade de Deus, na quadra da Mocidade Unida de Jacarepaguá.

 

O objetivo do programa é dar enfoque aos projetos de integração comunitária e formar uma rede de atores locais, que tem como missão organizar projetos e melhorar a relação dos moradores entre si. Durante os encontros semanais, que duraram um ano, os comerciantes locais foram capacitados pelo Sebrae, em parceria com a secretaria, para elaborar um plano de ação do polo de comércio. A iniciativa foi incluída no projeto Polos do Rio, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico Solidário, da Prefeitura do Rio, através de um decreto que delimita e define os estabelecimentos participantes.

 

A proposta, que já funciona em outros locais da cidade, é fortalecer o comércio de rua. Cada espaço é monitorado por uma governança compartilhada e participativa – formada pelo Sebrae, Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes (SindRio), Associação Comercial do Rio de Janeiro e Sistema Fecomércio – e ganha um selo criado para orientar, identificar, estimular e sustentar a qualidade dos empreendimentos.

 

– Quando o polo é instalado, o município dá uma série de privilégios ao atendimento dessa região. Se estourar um cano, por exemplo, o problema será resolvido com mais rapidez – afirmou Bruno Machado, que procurou o Sebrae para dar início ao diálogo.

 

 

Para Raul Rocha, dono de um restaurante que funciona há 15 anos no bairro, o polo trouxe benefícios antes mesmo da instalação.

 

 

– Antes de a polícia entrar, não tínhamos nenhuma perspectiva de mudança. Agora, a gente a chance de se formalizar e ganhar mais credibilidade no mercado. Vários comerciantes da Cidade de Deus tinham dificuldade em receber suas mercadorias, ter nota fiscal. Esses problemas vão acabar com a inauguração do polo, porque juntos vamos conseguir negociar produtos mais baratos e os nossos fornecedores vão poder entregar, em apenas uma viagem, o que compramos – afirmou Raul.

 

 

Quem comemora também é a Ana Lúcia Serafim, presidente do banco comunitário, que funciona há um ano na favela, e já tem moeda própria: a CDD.

 

 

– Cerca de 200 comerciantes aderiram à moeda social e a nossa expectativa é que, com a inauguração do polo, outros comerciantes possam se juntar à nossa iniciativa – comentou Ana Lúcia Serafim.

 

A comunidade tem atualmente, de acordo com o Sebrae, o maior índice de formalização do Rio de Janeiro: aproximadamente 500 alvarás de funcionamento. Segundo Daniel Misse, superintendente de Territórios da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, a equipe do programa continuará acompanhando o grupo de trabalho para coordenar a criação da Associação dos Comerciantes da Cidade de Deus e manter a economia solidária na comunidade.

– Vamos promover a utilização da moeda local e desenvolver projetos locais que possam ser apoiados ou patrocinados pelos comerciantes, o que vai manter a economia aquecida e o dinheiro circulando dentro da comunidade – explicou Misse.

 

A tesoureira do grupo, Wanderlucia Farias, é dona de uma joalheria e ela já pensa em reformar a loja quando o pólo for inaugurado.

 

 

– Eu participo das reuniões do GT de comércio desde o início e todos os moradores estão na expectativa da inauguração. Estamos empolgados com a possibilidade de pessoas que não moram na Cidade de Deus comprarem aqui – contou Wanderlucia, que participou de um feirão do Sebrae quando decidiu a abrir a loja na Cidade de Deus.

 

 

Outro comerciante que comemorou a inauguração do pólo é Marcio Carlos da Conceição, dono de uma fábrica de salgados e uma barraquinha, que vende cerca de duas mil unidades por dia.

 

– Eu me interessei em participar do GT de comércio e do processo da vinda do pólo para cá, porque tenho interesse em abrir uma loja, mas quero fazer tudo certinho, que o meu estabelecimento seja formalizado. As coisas eram bem diferentes antes da pacificação. Quando morria alguém ligado ao tráfico, por exemplo, eu era obrigado a fechar a barraquinha. Agora, as portas estão se abrindo – disse Márcio.

 

Fonte: Governo do Rio