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Complexo do Alemão trabalha na reciclagem de óleo vegetal

Reciclagem de óleo

Um grupo de egressos do sistema penitenciário, que mora no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, encontrou um meio de usufruir da liberdade recuperada e, ao mesmo tempo, contribuir para a melhoria do meio ambiente. Com o apoio do trabalho social do Governo do Estado, 15 ex-presos, integrantes da Cooperativa Eu Quero Liberdade, fundada em 2004, criaram o projeto Ecos da Liberdade em setembro do ano passado, para trabalhar com reciclagem de óleo vegetal nas 13 comunidades do Alemão.

 

 

A iniciativa do grupo, presidido por Robson Borges, nasceu da necessidade de sobreviver legalmente, driblando as dificuldades de se inserir no mercado de trabalho formal. Através da coleta de óleo vegetal usado e de seu beneficiamento para produção de biocombustíveis e sabão ecológico, entre outros produtos, os ex-apenados buscam garantir a própria manutenção e da família.

 

 

O projeto está presente hoje em quatro condomínios construídos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Complexo do Alemão: Nova Geração, em Nova Brasília; do Adeus, próximo à estação do teleférico do Morro do Adeus; Poesi, na Estrada de Itararé; e Itaóca, na avenida do mesmo nome. Nos quatro conjuntos habitacionais vivem um total de mais de 400 famílias. Em cada um dos conjuntos, a cooperativa colocou um Posto de Entrega Voluntária (PEV) contendo uma bombona de 200 litros para receber o produto dos moradores.

 

 

Os grandes fornecedores do óleo vegetal usado, porém, são 60 estabelecimentos e instituições que participam do projeto, como restaurantes, escolas, igrejas e quiosques, que contribuem em média com quatro mil litros/mês. Em cada um deles, há uma bombona de 30 ou de 50 litros para armazenar o óleo. Levado para um centro de armazenamento nos fundos do Condomínio Itaóca, na Avenida Itaóca 1.174, em Bonsucesso, o óleo é transformado em sabão ecológico e detergente, ainda de forma experimental.

 

O plano, no entanto, é expandir o negócio para um espaço que o grupo adquiriu, na localidade de Esperança, em Olaria, com maior capacidade de armazenamento de óleo e de produção de derivados, e transformar a atividade num verdadeiro negócio. Lá, a cooperativa poderá fabricar sabão e detergentes, cuja técnica o grupo já domina, e outros produtos, como cera de velas, cosméticos e ração para animais. O plano é vender parte do óleo recolhido para indústrias e refinarias e destinar o restante para produção própria e venda ao comércio local. A cooperativa já possui uma usina de beneficiamento, mas o desafio do grupo agora é conseguir recursos para criar uma estrutura adequada à produção em maior escala.

 

 

– A intenção final da cooperativa é transformar as comunidades em pequenos polos de produção. Se cada uma das 13 comunidades do Alemão tiver uma unidade de armazenamento e de beneficiamento de óleo vegetal isso vai envolver os moradores na questão ambiental e, de certa forma, fazer com que o resíduo gerado se transforme em renda e trabalho para uma série de pessoas ociosas – afirmou o coordenador de comunicação da cooperativa, Adair Aguiar.

 

 

A Coop Liberdade desenvolve paralelamente uma campanha junto aos moradores dos condomínios e aos comerciantes para aumentar a adesão ao projeto, através da realização periódica de atividades recreativas e de oficinas com temática ambiental envolvendo, principalmente, crianças e jovens, como as realizadas no Itaóca, na semana passada. Nelas, os animadores incentivam os moradores a dar destinação adequada ao óleo usado e a adotar outras práticas ecológicas corretas.

 

 

Luís Antônio Ursulino Vieira da Silva, que mora Bloco 5-B/106 do Itaóca, é um desses moradores cientes do dever de cuidar bem da Natureza. Com a filhinha no colo, saiu da casa no condomínio Itaóca para levar o óleo usado, para entregar na cooperativa. É a primeira vez que ele contribui com o projeto, mas garantiu que vai transformar o ato em uma rotina.

 

 

– Não sabia onde colocar o óleo usado e despejava mesmo no ralo da pia. Tenho consciência sobre o que está acontecendo no mundo. Vou fazer a minha parte pensando na minha vida e no futuro do meus filhos – afirmou Luís Antônio.

 

 

Vem doador até de fora do Alemão. O estudante de Ensino Médio Daniel Nascimento Fonseca,19 anos, mora no Engenho da Rainha, mas também faz um curso de Eletricista Predial e Residencial no Centro Técnico Profissionalizante (Cetep) da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), que fica ao lado do conjunto Itaóca. Ele trouxe garrafas pet cheias de óleo vegetal usado.

 

 

– Sabia que aqui tem um ponto de coleta e aproveitei para trazer o óleo usado de minha casa que pode ser reciclado e transformado em outros produtos úteis para as pessoas e ainda não poluir o meio ambiente. Eu e meus pais queremos contribuir para um mundo melhor – ressaltou o estudante.

 

Fonte: Governo do Rio