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Creche transforma famílias da Cidade de Deus

Quando o RIOSOLIDARIO abriu pela primeira vez, em fevereiro de 2009, as inscrições para as 200 vagas no Espaço de Educação Infantil Cidade de Deus, na praça Rocinha 2, pouco mais de 20 mães registraram interesse. A comunidade não acreditava que o projeto seria implementado de fato, mas a descrença se transformou em esperança quando a creche ficou pronta, em outubro. No dia da inauguração, o cadastro foi reaberto e mais de 400 fichas foram contabilizadas.

Hoje, a creche atende a 207 crianças de 0 a 3 anos e 11 meses, em período integral – das 7h às 18h30. A rotina inclui cinco refeições diárias – quando mastigação e escovação são reforçadas e as crianças são incentivadas a degustar cada alimento de uma vez -, atividades de psicomotricidade e desenvolvimento de habilidades, contação de histórias, banho e, claro, pausas para descanso. Com 11 salas climatizadas, o espaço conta com brinquedoteca com TV e DVD player, refeitório, banheiros unissex (para os bebês de até 11 meses) e exclusivos, berçário, cozinha e lavanderia. Todo o material necessário – do uniforme, passando pelas toalhas de banho até as mamadeiras – é fornecido pelo RIOSOLIDARIO.

A proposta de transformar pela educação rege o projeto pedagógico do espaço, dirigido pela professora Vania Ricci. Segundo ela, a intenção é que as crianças levem para casa os ensinamentos e os multipliquem, fazendo com que os pais e familiares conquistem mais cidadania e respeito. A integração também é um fator importante para o sucesso do projeto, por isso, todos os 54 funcionários – professoras, recreadoras, cozinheiras, auxiliares de serviços gerais e administrativos e lactaristas – são moradores da Cidade de Deus.

– O trabalho inicial é duro, mas fazemos tudo com amor. Percebemos que, se soubermos acolher essas crianças e não elevarmos a voz nos momentos de aflição, elas sentirão nossa cumplicidade. Assim, criamos um ambiente sereno.

– A educação é exigida de forma carinhosa para que eles possam experimentar o que é viver em paz, ter cidadania e respeito. Nosso objetivo é que elas levem essa exigência para a família, os funcionários compartilhem as metas com a comunidade, mudando os conceitos de vida dessa população – afirma a diretora.

Formada em Matemática, mas extremamente ligada à questão social, Vania foi convidada a assumir a direção depois que a presidente do RIOSOLIDARIO, Daniela Pedras, conheceu o trabalho que realizava, há dez anos, num abrigo para mulheres que sofrem violência doméstica. A experiência na área fez com que ela levasse uma assistente social para a creche, para evitar a evasão.

– Sabemos que muitas dessas crianças passam por conflitos familiares. Por isso, fazemos um trabalho com as famílias, em reuniões mensais, que incluem desde a discussão do planejamento pedagógico a orientações sobre a alimentação.

A equipe também conta com uma pedagoga – que faz a adaptação do programa educacional de acordo com as necessidades das crianças – e uma nutricionista, que cuida para que a alimentação contenha a quantidade ideal de nutrientes que as crianças precisam, já que muitas delas vivem em condições precárias. Uma médica voluntária visita a creche todas as quartas-feiras para prevenir e tratar doenças de pele, muito comuns na comunidade.

Profissionais que visitam o espaço para conhecer o trabalho também são convidados a dar palestras para os moradores, promovendo a integração e reafirmando o papel social da creche. Em junho, um especialista vai esclarecer as dúvidas da população sobre a hanseníase, que tem grande incidência na Cidade de Deus. Vania também pretende abrir turmas de capacitação em culinária, manicure e cabeleireiro, nos mesmos moldes dos realizados pelo RIOSOLIDARIO, para gerar oportunidades.

– É uma questão de chance e oportunidade. Queremos fazer com que essas crianças se desenvolvam e possam competir por vagas nas melhores faculdades em pé de igualdade com a classe média. Podemos ser diferentes, mas não desiguais. Lutamos por uma sociedade mais justa, por isso, vamos fazer o máximo para melhorar as condições de vida das pessoas que moram na comunidade – pontua Vania

Fonte: Governo do Rio