Início Plantão Rio Defesa com alma faz Rio vencer Madri de goleada

Defesa com alma faz Rio vencer Madri de goleada

Foi com cantoria, com garra, com choro, com alegria. A delegação brasileira se manteve confiante na vitória do Rio de Janeiro até o último instante. Por 66 votos a 32, a cidade desbancou Madri e foi escolhida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, derrotando ainda Chicago e Tóquio, eliminadas nas duas primeiras votações do dia. 
Assim que a decisão foi anunciada, a delegação brasileira em Copenhague foi tomada pela emoção, traduzida em muitos abraços e no choro coletivo de esportistas e autoridades da comitiva brasileira, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes.
Enquanto “o cara” Obama voava de volta para casa depois de uma rápida participação, “os caras” Lula, Cabral e Paes, abraçados e envolvidos pela bandeira do Brasil, saíam da sala de apresentação cantando Cidade Maravilhosa, coroando um intenso trabalho que começou há dois anos. O apelo para trazer a primeira Olimpíada para a América do Sul, argumento da candidatura carioca desde o início, e a defesa calorosa do Rio em todas as apresentações convenceram os integrantes votantes. E o slogan do presidente americano, “Yes, we can”, virou lema nacional, nesta sexta-feira histórica. 
Para o prefeito Eduardo Paes, os dois momentos mais emocionantes foram o do anúncio da cidade vitoriosa e o da assinatura do contrato que oficializa o Rio como sede dos Jogos:
– Esse é um contrato de virada na história do Rio. E essa virada já começou, com os três níveis de governo apoiando a candidatura carioca. Tenho certeza de que as Olimpíadas vão significar muitas mudanças para a população, principalmente para os mais jovens e para os mais pobres – disse Paes. 
Para o governador, o legado para o Rio vai além dos equipamentos esportivos e das melhorias que a cidade receberá.
– Sem dúvida, das quatro candidatas, o Rio é a que terá o maior benefício. Mas o maior de todos os benefícios é a autoestima – disse Cabral.
Logo depois da escolha do Rio, o presidente Lula, muito emocionado, ressaltou a grande parceria dos governos federal, estadual e municipal, que trabalharam em conjunto com o COB. Para ele, o Brasil “conquistou a sua cidadania internacional” e a candidatura do Rio sempre representou um desejo verdadeiro e maior do que o de outras cidades de realizar os Jogos, uma “vitória de 190 milhões de almas”. 
– Hoje, nós quebramos o último preconceito contra o nosso país. Mostramos ao mundo que temos competência para fazer uma Olimpíada. Aqueles que pensam que o Brasil não é capaz, vão se surpreender. Quem estava aí para votar, viu que a gente estava com a alma, com o coração. Ou seja, que o Brasil era o único país que queria, de verdade, fazer a Olimpíada. Hoje é dia de comemorar porque o Brasil saiu do patamar de país de segunda classe e passou para o patamar de país de primeira classe. Acho que prevaleceu a razão, prevaleceu a paixão, prevaleceu a verdade: o Brasil merecia fazer uma Olimpíada – disse o presidente.
Na entrevista coletiva, Lula fez questão de agradecer ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, pela aprovação do Ato Olímpico, documento que ratifica e complementa 64 garantias do Governo Federal relacionadas ao projeto Rio 2016. 
A emoção da comitiva e do povo do Rio, mesmo tendo sido uma das tônicas de toda a campanha carioca, caminhou lado a lado com um projeto de qualidade técnica impecável. Nas palavras do próprio presidente do COI, Jacques Rogge, durante a entrevista que se seguiu ao anúncio da vitória do Rio, “foi escolhida uma candidatura excelente, sem qualquer falha”. No início de setembro, um relatório do Comitê já havia ressaltado as garantias dadas pela integração dos três níveis de governo, a experiência acumulada com os Jogos Pan-americanos de 2007 e a solidez da economia brasileira.
O trabalho da delegação brasileira começou cedo nesta manhã, com uma apresentação emocionante e emocionada da candidatura do Rio, da qual participaram, além de Lula, Cabral e Paes, o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman; o ministro do Esporte, Orlando Silva; o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles; o ex-presidente da Fifa João Havelange; e a iatista Isabel Swan. Pelé também esteve presente na cerimônia.
Durante a sua fala, Cabral deu garantias de que a cidade está preparada. Disse que o Rio vai investir na construção de mais hotéis, em um sistema de transporte mais eficiente e principalmente em segurança. O governador destacou ainda o novo modelo de policiamento comunitário nas áreas carentes da cidade e disse que vai investir mais de US$ 3 bilhões em segurança.
Lula exaltou o sonho e o sentimento dos mais de 190 milhões de brasileiros em sediar os Jogos que pela primeira vez podem ser em uma cidade da América do Sul. Paes falou da paixão do brasileiro pelo esporte, destacando os polos esportivos disponíveis na cidade e os que ainda serão construídos.
João Havelange, ex-presidente da Fifa e membro do COI, foi o primeiro a falar e fez um resumo de todas as Olimpíadas de que já participou. Em seguida, foi a vez de Nuzman, que lembrou o sucesso do Pan de 2007. Em um mapa, ele mostrou as cidades que já foram sede dos jogos, chamando a atenção para o fato de que os Jogos nunca haviam chegado a um país da América do Sul. 
Agora, vão chegar. E as autoridades brasileiras se comprometeram, durante a entrevista coletiva à imprensa, a começar a trabalhar imediatamente. 
– Já nesta segunda-feira, reunirei todo o secretariado para distribuir tarefas, muitas tarefas. O Rio está numa curva ascendente, o Brasil está numa curva ascendente. Não tenho dúvida de que vamos entregar tudo aquilo com que nos comprometemos. Pensem em um homem feliz, pensem em Eduardo Paes, o prefeito da Cidade Olímpica – disse Paes.

Fonte: Prefeitura do Rio