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Desenvolvimento sustentável da Rocinha

Rocinha | foto de Governo do Rio
Mais acesso à saúde básica e à educação técnica estão entre as ações propostas pelo Plano de Desenvolvimento Sustentável da Rocinha, elaborado pelo Governo do Estado, em parceria com os moradores e associações comunitárias, durante quatro anos. O estudo, que fecha um ciclo de atuação na comunidade da Zona Sul do Rio, foi lançado na terça-feira (31/1), na quadra do Complexo Esportivo da Rocinha, e visa viabilizar ações públicas e privadas para melhorar a quelidade de vida dos cerca de 100 mil habitantes da maior comunidade da América Latina.
Entre algumas das principais propostas apresentadas, o plano acentua a necessidade de melhoria de acesso à saúde básica, com a implantação de equipes de Saúde da Família, a ampliação do Posto de Saúde Albert Sabin e a construção de centro integrado de atenção à saúde para portadores de necessidades especiais. Na educação, os desafios se concentram em proporcionar acesso a todos os níveis educacionais, com implantação de Curso Normal Superior, facilitação ao ingresso nos cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e criação de mais escolas e qualificação de creches, entre outras medidas.
Na área de trabalho e renda e empreendedorismo, o plano propõe o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis, como a transformação de lixo em renda, com a criação de cooperativas e/ou associações de reciclagem de resíduos sólidos; formação de arranjos produtivos locais, como confecções, comércio de vestuários e moda, construção civil e lan houses; e implantação de escolas técnicas. Na área de cultura, o desafio a enfrentar será valorização da cultura local com o desenvolvimento de parcerias privadas e de políticas públicas para o incentivo a talentos locais; pesquisa e documentação de ações culturais e desenvolvimento de ações de preservação da cultura afro-brasileira; a criação do Museu da Rocinha e de cursos profissionalizantes como dança, teatro e artes plásticas. Nos esportes, a proposta é fortalecer a rede esportiva e proporcionar acesso ao esporte e lazer para todos.
O livro, que será distribuído para moradores e instituições públicas, foi resultado do trabalho e de pesquisas de demandas da comunidade por técnicos do Escritório de Gerenciamento de Projetos (EGP-Rio), da Secretaria da Casa Civil. Inicialmente, ao longo de 10 meses, foram discutidas e priorizadas em fóruns semanais as iniciativas mais importantes e necessárias para a região. Questões relacionadas à moradia, infraestrutura, educação, saúde, assistência social, esporte e lazer, trabalho e renda, turismo e empreendedorismo foram mapeadas com a participação de cerca de 800 moradores e representantes de associações locais.
De acordo com os diagnósticos levantados, a maior reivindicação dos moradores da Rocinha é a abertrura de áreas de ventilaçao, devido ao grande adensamento de domícílios. A Rocinha possui 2,9 habitantes por domicílio, com maior densidade de casas nos sub-bairros Barcelos, Macega e Roupa Suja. As mulheres são maioria na Rocinha: 51,5%, sendo 37,5 chefes de família. Crianças e adolescentes correspondem a 32% da população, enquanto adultos na faixa de 19 a 64 anos são 64% do total de moradores.
As casas são em sua grande totalidade de alvenaria (89%), divididas em 25 sub-bairros. São 38.400 imóveis cadastrados: 34.576 domiciliares e 3.564 não-domiciliares. Desses imóveis, 62% são próprios e 35% alugados. Entre os próprios, 36% comprovam propriedade. A maioria (52%) possui iluminação elétrica pública e 25% , clandestina. Os
domicílios se dividem em apartamentos (36,6%), casas partilhadas por paredes ou lajes (36%), casas isoladas (19,7%) e cômodos (0,9%).
A taxa de analfabetismo simples é de 4,4%. Crianças e jovens são atendidos em estabelecimentos públicos de ensino (60,7%). Apenas 36% das crianças freqüentam creches. O nível de desemprego é alto: 10,7%, o dobro do resto da capital. Estimna-se que 44% dos trabalhadores estão em situação precária no mercado de trabalho. A renda média da
população é baixa: R$ 393, enquanto na cidade é de R$ 858.
– O plano resgata a história da Rocinha. Com este livro, a gente consolida todos os desejos da comunidade e reflete um processo de aprendizado para todos, do governo e das lideranças e moradores da comunidade – sintetiza a coordenadora do PAC Social, Ruht Jurberg.
Paralelamente, caberá ao PAC Social a definição e a realocação de comerciantes no Largo do Boiadeiro, a mobilização da população para as novas obras, ações de educação sanitário-ambiental, especialmente a destinação adequada do lixo, considerado um dos maiores problemas da Rocinha, e a realização de cursos de qualificação profissional para a
geração de trabalho e renda.
Fonte: Governo do Rio