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Detentas do Instituto Penal Oscar Stevenson têm aulas de culinária

 

Depois de conquistar a liberdade, as ex-detentas do Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica, poderão trabalhar com carteira assinada no restaurante-escola do chefe de cozinha Camilo Portugal. Para isso, elas vêm recebendo, desde janeiro, aulas de culinária no Projeto Temperando. A iniciativa tem como objetivo ensinar pratos de alta gastronomia, promover geração de renda e garantir a reinserção dessas mulheres no mercado de trabalho.

– Com o diploma de cozinheira, elas terão a oportunidade de trabalhar no meu negócio. O aproveitamento delas nas aulas é de 100%. Todas elas estão sempre atentas ao que faço e explico. Sei como é difícil elas estarem aqui e sei que precisam de ajuda – disse.

 

Com 80% das obras finalizadas, o restaurante-escola empregará apenas ex-apenadas que ganharem um certificado após o término do curso. Todas elas trabalharão diariamente, num total de 960 horas. Todos os pratos preparados por elas serão vendidos em diversos restaurantes. O dinheiro adquirido será aplicado no próprio empreendimento.

 

Com o diploma do curso de padeiro dado no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, a detenta Any Mary Carvalho disse que as aulas de culinária aperfeiçoam cada vez mais o seu conhecimento na área gastronômica.

 

– Gosto de preparar qualquer prato, em especial os salgados. O que mais gostei de aprender foi o macarrão com manteiga de ervas finas. Além disto, nos é ensinado a enfeitar os alimentos. Ao sair daqui farei uma faculdade de gastronomia, vou investir no meu futuro – afirmou.

 

 

O curso teve início em janeiro deste ano. Com duas horas de duração, as aulas acontecem todas as terças-feiras. Em todas elas é ensinado um prato requintado. Os alimentos já vêm cortados para serem preparados. No final de cada aula, todas as alunas experimentam as iguarias feitas pelo chefe de cozinha.

 

Nesta terça-feira, o prato preparado foi o macarrão ao molho funghi. A apenada Jussara Arias, de 41 anos, disse que esta foi a melhor massa já preparada nas aulas.

 

– Nunca experimentei uma comida tão boa que nem esta. Antes de ser condenada, trabalhava como auxiliar de cozinha e gostava muito. No dia em que sair daqui, o primeiro alimento que irei preparar para toda a minha família será este – ressaltou.

 

Para a diretora do presídio, Mirena Moura da Silva, o curso de culinária traz a oportunidade de inserir as presas no mercado de trabalho, já que muitas delas não possuem nenhum tipo de qualificação profissional.

 

– Muitas das outras detentas já estão interessadas em fazer parte da próxima turma. Este segmento na área de alimentação é muito bem-vindo pela a maioria delas. Acreditamos muito nelas – disse Mirena.

 

Fonte: Governo do Rio