Início Plantão Rio Diagnostico do autismo em crianças

Diagnostico do autismo em crianças

Dificuldades de estabelecer contato visual, de articular a fala, de prestar atenção aos outros e tendência ao isolamento social. Essas são apenas algumas das características do autismo, distúrbio que afeta, em média, um em cada 165 recém-nascidos no mundo.

– O autismo é uma síndrome, não uma doença. Nem todos os pacientes apresentam retardo mental, mas ele gera prejuízos na interação social e na comunicação, além de padrões de interesse e comportamentos restritos e repetitivos – explica a professora do Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Carolina Lampreia, que coordena o Grupo de Pesquisa Autismo, Comunicação e Intervenção.

Carolina desenvolve, com auxílio à pesquisa (APQ1) da FAPERJ, o estudo Investigação de sinais precoces de risco de autismo em bebês com irmãos autistas.

– Existe uma probabilidade maior de bebês com irmãos autistas apresentarem alguns sinais de autismo. Mas isso não significa que eles terão, obrigatoriamente, autismo – assinala a pesquisadora, esclarecendo que a síndrome é concebida hoje como um transtorno de desenvolvimento de base biológica inata, embora sua causa ainda seja desconhecida.

– Existem estudos que relacionam a contração de rubéola durante a gravidez com a incidência do autismo no bebê. O fator genético também pode ser uma etiologia – conta.

A dificuldade para se chegar a um diagnóstico precoce é uma das principais barreiras ao tratamento também precoce da síndrome. Boa parte das crianças portadoras recebe diagnóstico tardio, depois dos três anos de idade. O diagnóstico do autismo conta atualmente com dois instrumentos oficiais: a CID-10 (International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems), elaborada pela Organização Mundial de Saúde, e o DSM IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), da Associação Norte-Americana de Psiquiatria.

Ambos determinam que o diagnóstico seja feito até os três anos de idade.
– Os itens de avaliação tanto da CID-10 quanto do DSM-IV são muito genéricos e não são adequados para o reconhecimento precoce. Por isso, outras fontes de informação sobre indicadores ainda mais precoces do autismo têm sido utilizadas, tais como o relato retrospectivo dos pais, a análise de vídeos familiares e pesquisas sobre comportamentos de atenção compartilhada – diz a doutora em psicologia clínica.

A identificação de sinais de risco de autismo é importante para permitir uma intervenção também precoce, minimizar o sofrimento da família e tornar os profissionais de saúde e educação mais familiarizados e vigilantes aos primeiros sinais da síndrome.

– Muitas vezes os pais suspeitam que seu bebê tem algum problema já com poucos meses de vida, porque não sorri, não vocaliza ou estabelece contato ocular. Mas, às vezes, o pediatra diz que a criança não tem nada – justifica.

Para identificar possíveis sinais de risco de autismo em bebês no primeiro ano de vida, Carolina e equipe recorrem à produção de vídeos. Eles filmam regularmente o comportamento de dois grupos: bebês que têm irmão com diagnóstico de autismo e bebês sem risco de autismo.

– Filmamos a interação entre bebê e familiares adultos para avaliar principalmente o engajamento emocional, já que o pouco engajamento do bebê ou sua ausência podem ser considerados um indicador de risco – detalha.

– Utilizando o protocolo canadense Autism Observation Scale for Infants (AOSI), vamos observar outros indicadores de autismo por meio de um instrumento estandardizado – conclui Carolina Lampreia.

Ela acrescenta que até o fim da pesquisa espera poder identificar se há algumas categorias específicas que possam diferenciar o risco de o bebê desenvolver autismo em idade tão precoce.

 

Fonte: Faperj