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Unidos da Tijuca é a grande campeã do carnaval carioca

 

Na tarde de quarta-feira de cinzas o rei do baião, Luiz Gonzaga, deu asas para a Unidos da Tijuca de Paulo Barros alçar voo para o primeiro lugar do carnaval 2012. Este é o segundo campeonato de Barros na Tijuca e com o enredo que levou para a Sapucaí “O dia em que toda a realeza desembarcou na Avenida para coroar o Rei Luiz do Sertão”, com 299,9 pontos. Em 2010, foi vice-campeão com “Esta noite levarei sua alma”. Até a leitura do quarto quesito, a Unidos da Tijuca vinha dividindo a liderança com a Vila Isabel (”Você semba de lá.. que eu sambo de cá! O canto livre de Angola”), que perdeu três preciosos décimos em Alegorias e Adereços. A Vila também perdeu pontos importantes em bateria. No decorrer da apuração, o Salgueiro (“Cordel branco e encarnado”) acabou conquistando o segundo lugar, com 299,7 pontos, deixando a Vila em terceiro, com 299,5 pontos; a Beija-flor em quarto (298,9); a Grande Rio em quinto (298,3) e a Portela em sexto (297,2). Essas são as escolas que desfilam no Sábado das Campeãs. Renascer de Jacarepaguá e Porto da Pedra caíram para o Grupo de Acesso.

 

Após receber a taça da campeã, o presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, falou sobre como é fazer uma escola de samba sem patronos. Segundo ele, este ano, o desfile da Tijuca custou mais de R$ 10 milhões e, além da verba oficial, contou com patrocinadores para o enredo sobre Luíz Gonzaga e Pernambuco. Além disso, Horta disse que a escola faz eventos o ano inteiro para viabilizar seu carnaval. “Só a comissão de frente, com shows e apresentações, já trouxe à escola R$ 3 milhões nos últimos anos. Fazemos trabalho para atrair turistas para a quadra e o barracão, e eventos o ano inteiro. Assim que conseguimos viabilizar o desfile” – disse ele.

 

O presidente da Renascer de Jacarepaguá, Antônio Carlos Salomão, mostrou-se irritado com o resultado da apuração, que rebaixou sua escola no ano em que ela estreou no Grupo Especial. Ele contestou notas dadas pelos jurados e disse que o desfile não foi avaliado de forma justa. “Queria conhecer essa matemática dos jurados. Tivemos vários 9,6, e sei que o que me falta é sobrenome, porque nome eu tenho. E eles julgam as escolas pelo nome. Na próxima vez que eu subir para o (Grupo) Especial, vou fazer uma bandeira de chumbo para ela ter o mesmo peso das outras”.

 

A escola desfilou homenageou o artista plástico Romero Britto, mas o presidente não acha que o tema do enredo seja o motivo do rebaixamento: “O tema da escola não influenciou a nota dos jurados. O que prejudicou foi a falta do nome”.
Presidente da Porto da Pedra – penúltima colocada, e que em 2013 também desfilará pelo Acesso -, Francisco Marins lamentou o resultado, mas preferiu evitar polêmicas: “Odeio me fazer de coitadinho, não faço essa linha. Mas, se a minha escola permanecesse no Grupo Especial, eu iria sugerir a mudança de alguns jurados. Agora, se eles acharam que a Porto da Pedra merecia cair, paciência.

 

O julgamento, este ano, trouxe novidades. O número de jurados diminuiu, de cinco para quatro por quesito. E apenas a nota mínima em cada quesito foi descartada. Em anos anteriores, a mais alta e a mais baixa eram desconsideradas no final. A forma de julgamento também mudou. Cinco dos dez quesitos que definirão a vencedora foram divididos em dois. Passam a ser julgados desta forma comissão de frente, alegorias e adereços, fantasias e enredo. O quesito samba-enredo já tinha a nota subdividida, com uma análise separada de letra e melodia.