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Entorno do Engenhão é ignorado

 

O abandono das construções históricas no contexto ferroviário da cidade continua. Desta vez, fomos às antigas Oficinas de Locomoção, no terreno ao lado do Estádio Olímpico João Havelange, no Engenho de Dentro, Zona Norte da Cidade. Um marco na história do Rio, que sucumbe à falta de conservação e ao descaso do Poder Público.

O terreno do estádio abrigou a maior oficina de locomoção da América Latina, ajudando a formar o bairro do Engenho de Dentro. Da opulência do passado, apenas as fachadas resistem, em precário estado de conservação. A armação do piso do segundo andar desabou. O piso, de pinho de Riga, foi arrancado, segundo informações.  Alguns galpões têm tanto mato e entulho que fica difícil imaginar que ali havia dezenas de composições em reforma.

 

Além das oficinas, o local também abrigava o Museu do Trem. Com mais de mil itens considerados de valor histórico, o acervo abrange equipamentos ferroviários, utensílios, mobiliário e até locomotivas como a Baroneza, construída na Inglaterra, movida a vapor e a primeira a trafegar na estrada de ferro de Petrópolis, na região serrana do Rio.
Todo esse material, no entanto, está abrigado em lugar parcialmente destruído, degradado e fechado ao público. Conseguimos ver um pouco do acervo do museu, com a condição de não fotografar. O aspecto geral do prédio é ruim, com vidraças quebradas e mato alto. Na parte interna, o panorama é um pouco melhor. O museu está fechado, e deve reabrir “só lá para 2014”, segundo o vigilante.

 

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou, no começo de maio, todo o acervo do museu, ficando responsável pela guarda e segurança dos objetos. Já a estrutura física é responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) desde 2007. A diretoria do órgão não quis se manifestar sobre o péssimo estado de conservação das antigas oficinas. Um projeto de Lei tramita no Senado com a intenção de transferir o acervo do Engenho de Dentro para a Estação Barão de Mauá, da Leopoldina, na Av. Francisco Bicalho, onde seria criado o Museu Ferroviário Nacional.

 

Os imóveis juntam mato alto e muito entulho: risco de proliferação do mosquito da dengue

 

   Já a prefeitura promete alargar as ruas em torno do Engenhão, para dar mais conforto aos frequentadores do estádio, além de aproveitar os galpões abandonados para criar a Praça do Trem, um espaço para a circulação de pessoas que promete movimentar o combalido bairro.     

   Apesar das boas notícias, ainda não existe um prazo para o início das obras, nem previsão de quanto será gasto. Enquanto isso o mato vai crescendo, transformando o terreno em um verdadeiro Jardim do Éden do Aedes aegypti, o famoso mosquito transmissor da dengue.

Texto e fotos: Thiago Fidélis- Câmara Municipal

1 COMENTÁRIO

  1. Bom texto…pena as fotos não terem sido permitidas. O que demonstra claramente que os responsáveis, tanto pela degradação quanto pela falta de conservação do que resta, querem manter uma espécie de sigilo sobre os fatos. De nada adianta construir estádios magníficos se a área em torno definha e rui pouco a pouco, literalmente…

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