Início Plantão Brasil Ex-ministro Paulo Vannuchi afirma que 'mea culpa' da Globo não muda seu...

Ex-ministro Paulo Vannuchi afirma que 'mea culpa' da Globo não muda seu jornalismo

Paulo Vannuchi
Paulo Vannuchi

 

O cientista político e ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, afirmou que o fato das Organizações Globo assumirem em editorial ser uma “verdade dura” o apoio ao golpe de 1964 não basta e que democracia brasileira ainda espera o fim do monopólio das comunicações. “Ela faz o mea culpa e vai mudar? Ou faz o mea culpa para fortalecer a sua posição de combate?” indagou.

 

 

Segundo a Rede Brasil Atual, a decisão da Globo se deu depois de uma série de mobilizações no país na sexta-feira (30/8) a favor da democratização dos meios de comunicação. No Rio de Janeiro e em São Paulo, os protestos ocorreram em frente à sede da organização enquanto os manifestantes entoavam palavras de ordem como “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”.

 

 

 

Na mesma manifestação, os membros do Levante Popular da Juventude, grupo que tem chamado atenção por seus protestos de escracho a torturadores, renomearam a ponte Otávio Frias Filho, dono da Empresa Folha da Manhã no período da ditadura, para Vladmir Herzog, jornalista assassinado pelo DOI-Codi.

 

 

 

Vannuchi lembra que a própria empresa que edita a Folha foi responsável por emprestar carros do jornal para que o DOI-Codi promovesse operações e emboscadas e executasse militantes da resistência clandestina. “Eu pergunto se a Folha, o Estadão, o Grupo Abril vão realizar um mea culpa semelhante”.

 

 

 

No texto publicado no sábado (31/8), O Globo menciona que apoiou o regime militar devido ao perigo do comunismo e de um “provável golpe a ser desfechado pelo presidente João Goulart, com amplo apoio de sindicatos”. Para Vannuchi, o grupo se isenta do principal problema que é ‘ter convocado os militares para darem um golpe de Estado, reprimirem, sufocarem sindicatos, prenderem, torturarem e desaparecerem com os corpos de opositores políticos”.

 

 

 

“Se as mobilizações prosseguirem, se reforçarem, é possível avançar. O que pode parecer hoje um objetivo distante, inatingível, pode ser alcançado, que é a democracia que falta no Brasil. Pelo menos um terço dos canais de rádio e televisão estarem nas mãos dos movimentos populares, sociais, comunidades, ONGs, entidades de representação popular, para que todos falem, porque na democracia é preciso assegurar a pluralidade de opiniões”, acrescentouVannuchi.

 

PORTAL IMPRENSA