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Exposição apresenta aplicações da energia nuclear

Nos anos 1970, o número de americanos com doenças como gastroenterite, úlcera e problemas causados pelo consumo excessivo de carne de hambúrguer intrigou e chamou a atenção das autoridades do Food Drug Administration (FDA, agência governamental responsável pela regulamentação e controle da qualidade de alimentos e medicamentos nos Estados Unidos). O assunto mobilizou a opinião pública e os cientistas americanos verificaram que, mesmo com toda a esterilização da época, micro-organismos tóxicos permaneciam na carne.
 
A partir daí, passou-se a usar a irradiação nuclear – bombardeamento de íons para matar micróbios remanescentes – em vários tipos de alimentos. Desde então, a técnica passou a ser utilizada em larga escala por indústrias de processamento de carne em todo o mundo, especialmente as que vendem para o mercado internacional. Esse é apenas um exemplo das diversas formas de aplicação da energia nuclear presentes em nosso cotidiano, que a maioria das pessoas desconhece.
 
Para mostrar ao público leigo as variadas aplicações dessa energia e desmistificar sua utilização, está sendo realizada a exposição itinerante Energia Nuclear, uma iniciativa conjunta da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A mostra, com consultoria do pesquisador da Cnen Carlos Eduardo Bonacossa de Almeida e de outros pesquisadores, conta com apoio da Faperj por meio do edital Difusão e Popularização da Ciência e Tecnologia no Estado do Rio de Janeiro, pode ser vista na Casa da Ciência/UFRJ (Rua Lauro Müller, 3 Botafogo, próxima ao Canecão), de terça a sexta-feira, das 9h às 20h e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 20h.
 
Com entrada gratuita, a exposição vai até 29 de junho. Após a data, ela poderá ser remontada em outro local.
Energia Nuclear está acessível para todos os públicos, de crianças a jovens e adultos. Numa linguagem simples e acessível, a exposição apresenta as mais variadas formas de aplicação desta forma de energia ao público leigo. Para isso, há vários recursos, desde um equipamento cenográfico interativo, que reproduz o uso da energia nuclear para diagnóstico e tratamento de câncer; a uma fábrica de produção de átomos, outra reprodução cenográfica explica o funcionamento das usinas nucleares e Angra I e II, além de vídeos explicativos alusivos aos usos da energia, e outros que mostram o que aconteceu nos acidentes de Chernobyl e com o equipamento contendo césio-137, em Goiânia.
 
A exposição apresenta também simuladores que mostram, por exemplo, o uso da energia na medicina.
 
– A radiação gama é uma aplicação bastante comum, que as pessoas desconhecem. Do mesmo modo que o raio-X, com a radiação gama pode-se ver o conteúdo interno de um objeto sem precisar abri-lo ou mesmo quebrá-lo – explica Carlos Eduardo.
Ainda na área da medicina, cabe lembrar que material utilizado em cirurgias também é esterilizado por meio de radiação nuclear.
 
– Além disso, a radioterapia empregada no tratamento de tumores cancerígenos é feita pelo bombardeamento de radiação na área afetada pelo tumor. Já em outra área, na indústria de alimentos, a irradiação nuclear garante a conservação dos alimentos estocados em embalagens industriais – acrescenta Almeida.
 
Por último, o organizador da exposição destaca ainda o uso da irradiação para matar traças e garantir a conservação dos livros nas bibliotecas públicas.
 
Um dos consultores da exposição junto com Carlos Eduardo Bonacossa de Almeida, o pesquisador da Cnen Arnaldo Mezrahi destaca o caráter itinerante da mostra.
– O que está descrito aqui já é um ótimo começo para que a população tenha uma consciência que vive em um mundo radioativo e que a energia nuclear, completamente despercebida, faz parte do nosso dia-a-dia – explica Mezrahi.
Ele ainda explica que, diferente de países como Coreia do Norte e Irã, o Programa Nuclear Brasileiro não permite a construção de armas nucleares, uma vez que está voltado exclusivamente para fins pacíficos.
– Além dos convenções internacionais ratificadas pelo Brasil, segundo a nossa Constituição, e, em especial no Artigo 21, compete à União: XXIII – Explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus derivados, atendidos os seguintes princípios e condições: a) toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos mediante aprovação do Congresso Nacional – completa.
 
Escolas interessadas em levar crianças e jovens ao evento podem agendar visitas. No caso das crianças, há monitores e atividades específicas para atrair a atração da garotada, como um espaço de contação de histórias, onde se realizam várias atividades lúdicas e a equipe de profissionais responsáveis homenageiam super-heróis de desenhos animados que fazem menção à energia nuclear, como a Formiga Atômica, o Incrível Hulk, Ben 10, Quarteto Fantástico, Homem-Aranha e Capitão Planeta. Os professores recebem um kit explicativo com material pedagógico para desenvolver atividades complementares em sala de aula.
 
Na próxima semana, a exposição deve ganhar uma nova atração: o ciclo de palestras "Nuclear para Poetas". A partir de 4 de maio a 29 de junho, sempre às terças-feiras, de 18h30 às 20h, especialistas no tema farão uma série de palestras. Aqueles que quiserem participar podem fazer gratuitamente sua inscrição. Quem estiver presente em ao menos 80% das palestras receberá certificado de participação. A palestra O que é e onde encontramos a energia nuclear?, discussão-chave para o entendimento da exposição, abrirá o evento no dia 4 de maio, e será ministrada pelo doutor em física e professor da Universidade de São Paulo (USP), Luís Carlos Menezes.

Fonte: Faperj