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Força de trabalho feminina marca presença no PAC

Se “chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor”, como afirmam os versos do maior sucesso do compositor Assis Valente, Brasil Pandeiro, as mulheres atenderam a esse chamado e estão mostrando o valor que possuem na construção civil. Conhecidas como o Esquadrão Cor de Rosa, elas despontam como caprichosas, interessadas e sempre prontas a aprender técnicas que irão permitir não apenas o crescimento nos canteiros, mas a oportunidade de fazer trabalhos paralelos nas áreas onde moram.

E os canteiros se renovam com histórias de mulheres que venceram o preconceito e aceitaram o desafio de fazer o mesmo trabalho de forma diferente. Lucia Evangelista, de 46 anos, a Tia Lúcia, avó de seis netos, deixou o trabalho como merendeira em um hospital e resolveu investir na profissão de pedreira. Fã da cantora Alcione, trabalha sempre cantando os grandes sucessos da “Marrom”.

– Meus netos me dão a maior força para continuar a trabalhar.Nem preciso de academia Hoje aqui estou em uma grande família. Não vejo muita diferença entre o que fazia antes e o que faço hoje. Tudo é massa, com suas medidas. Uma serve para alimentar o corpo. Essa, para alimentar os nossos sonhos de um mundo melhor para todos – frisou Tia Lúcia.

O trabalho e a amizade extrapolam os limites do canteiro. No Natal ela convidou as amigas que trabalham nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Complexo do Alemão para ajudá-la a colocar o piso em sua casa, no Jacaré. Era algo que precisava fazer há algum tempo, mas faltava exatamente ajuda para o trabalho. Dividiu o sonho com as amigas e todas foram unânimes em dizer que ajudariam na concretização desse desejo.

Sonhos não faltam para essas batalhadoras.Daniele de Oliveira Souza, de 30 anos, começou a aprender a trabalhar com eletricidade por conta própria e acabou fazendo um cursinho em Cabo Frio para ter embasamento técnico. A vida de empacotadora de supermercado não era o que ela sonhava, por isso abandonou o balneário fluminense e veio para o Rio fazer um curso de construção civil. Ao fim do treinamento, apresentou o diploma que possuía e especializou-se em eletricista.

– Quero trabalhar e fazer o curso de engenharia elétrica. Esse é o meu grande sonho. Essa área de construção está sempre buscando profissionais – afirmou Daniele.

Conscientes de que são um diferencial nas obras, elas lembram que, no dia a dia, trabalham como qualquer outro funcionário e estão sempre prontas a aprender novas técnicas para se aperfeiçoar ainda mais em sua profissão.

Salão agora, só para reforma
O que faria uma mulher deixar seu próprio o salão de beleza para investir na construção civil? Essa é a pergunta que todos fazem para Márcia Pereira de Jesus, de 36 anos, que abandonou escovas e secadores e hoje é uma das responsáveis pela construção de moradias populares no Complexo do Alemão.

– Eu via os pedreiros trabalhando e tinha inveja do trabalho deles. Decidi abandonar o salão e investir na mudança do meu perfil profissional. Apesar do preconceito que ainda existe, não me arrependo da escolha que fiz por estar trabalhando em algo que contribui para levar alegria a centenas de famílias.

Guerreira, ela conta que em pouco mais de um ano passou por duas obras e guarda boas amizades e a certeza de que fez a diferença. O apoio do marido e dos filhos tem sido fundamental para que ela continue o seu dia a dia nas obras. Enquanto faz planos para novas obras no futuro, brinca sobre as diversas vantagens do trabalho no canteiro. – Além do clima de família em que todos vivemos aqui, economizo na academia, pois aqui ganhamos o maior preparo físico – concluiu.

Fonte: Governo do Rio