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Galeria recebe exposição de Angelo Venosa

A Galeria Laura Alvim, na Casa de Cultura Laura Alvim, com o patrocínio da Secretaria de Cultura, inaugura nesta quarta-feira (23/09) a mostra individual Turdus, de Angelo Venosa. A mostra teve como matéria-prima o crânio de um suposto sabiá, que serviu de ponto de partida para a confecção de cinco peças inéditas, sendo quatro de grandes dimensões.

Venosa submeteu a cabeça do pássaro a uma ressonância magnética para ter mais detalhes e mais tons de cinza do que lhe daria uma tomografia. O artista também precisava segmentar o crânio do sabiá em cortes transversais.

– Como em uma aula de dissecação, o artista retira a pele dos objetos para chegar aos elementos estruturais de seu corpo, aos pilares da forma. O esqueleto é o que sobra, mas é essa sobra que parece interessar ao artista como objeto pleno e vivo – diz Ligia Canongia, curadora da Galeria Laura Alvim.

A abordagem científica, técnica, tecnológica é só parte do processo, como explica Venosa:
– Há uma diferença entre projeto e realização, entre a precisão dos meios e aquilo que a obra revela, uma palpitação, que é o que me interessa.

Nos anos 90, quando começou a lidar com as camadas não visíveis de objetos, o artista cerrou à mão um modelo de cabeça de fêmur em gesso, depois de escaneada. Venosa chegou a pedir emprestada de um chef amigo uma máquina de cortar frios, tão precárias eram as ferramentas à época. Salvou-o um condenado à morte nos EUA, cujo corpo foi doado para pesquisa.
O cadáver foi fatiado, a partir do qual foi criado o projeto digital The visible human, do qual se utilizou em seu trabalho.

Segundo o escultor, apesar da forma de ser vivo, o crânio do passarinho vira "uma coisa" para seu propósito escultórico.

Intitulada Ah• ,Venosa construiu uma peça com galhos de madeira, unidos por uma ponta de cobre. Esta forma, diz ele, nada tem a ver com a ressonância magnética. A madeira que um assistente trouxe para o ateliê para esta obra chama-se sabiá. Mera coincidência.
Uma segunda escultura ganhou o título de Há, feita em lâminas de madeira que fazem um volume, ora empilhadas, ora separadas. Os títulos das duas peças têm o mesmo som. São separadas pela grafia.

Sob o título Turdus, o mesmo da exposição, Venosa colou 170 placas de acrílico preto e transparente, cada uma reproduzindo um corte da ressonância magnética. As fatias são coladas umas às outras, construindo a forma do crânio do sabiá.

A peça-mote da mostra está presente dentro de uma caixa de acrílico transparente.
Em 2008, a editora Cosac Naify lançou um livro sobre sua obra. Ainda este ano, Venosa expõe no Museu Chácara do Céu, no ciclo Ateliê da Gravura, e faz individual na Galeria Mercedes Viegas, no Rio de Janeiro.
Serviço
Angelo Venosa | "Turdus"
Escultura
Galeria Laura Alvim
Curadoria: Ligia Canongia
Abertura: quarta-feira (23/9), 19h
Em cartaz: até 15 de novembro
Terça a domingo, das 13 às 21h
Grátis

Fonte: Secretaria de Cultura