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Governo continua monitorando crise na zona do euro

O governo continua monitorando a crise na zona da euro e voltará a agir se preciso. A maior preocupação com o quadro internacional é o contágio que a crise possa trazer para a atividade econômica brasileira. A informação é do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.
Segundo ele, assim como aconteceu no ano passado, com a crise norte-americana, o risco é o país voltar a crescer menos. De fato, devido às turbulências iniciadas no final de 2008, o Brasil teve no ano passado queda de 0,2% no Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de bens e serviços produzidos no país.

“Essa é a maior preocupação. Porque do ponto de vista dos ciclos do Tesouro, do ponto de vista financeiro estritamente, o país está muito sólido, tranquilo. Nós temos reservas muito altas e temos a nossa dívida interna bastante avançada na sua rolagem”.

Segundo o secretário, do ponto de vista da renegociação da dívida externa, a situação é tranquila porque o valor da rolagem caiu muito e o governo não tem necessidade urgente de emitir títulos para negociar com os credores estrangeiros.

Arno Augustin explicou que o lançamento de papéis, no momento, tem caráter qualitativo. Ou seja, apenas para criar uma referência no mercado externo com os títulos do Tesouro que permitam às empresas brasileiras obter financiamento mais parecido com a nova realidade do Brasil.

“É basicamente para que o país seja conhecido, que esses títulos do Tesouro Nacional sirvam de base para negociações do setor privado. Muito mais que a rolagem stricto sensu”, explicou.
Quanto a uma eventual mudança na estratégia no lançamento de papéis da dívida externa devido à crise europeia, o secretário lembrou que isso só acontecerá em condições favoráveis de mercado.
“Nós não temos obrigação de lançar títulos, porque [lançamos] apenas para substituir e para melhorar o perfil da dívida”.

Segundo Augustin, no momento o Brasil não tem problema de financiamento porque está bastante avançado na compra de moeda estrangeira para o pagamento da dívida nos próximos meses. Ele afirmou, no entanto, que ainda é cedo para fazer prognósticos sobre os efeitos da crise europeia na economia doméstica.

"Nesse aspecto é cedo para dizer qualquer coisa. A gente tem que monitorar. Mas temos a expectativa de que os países europeus consigam enfrentar bem esse momento deles e reflexo objetivo que isso tem no Brasil vai depender de várias coisas, como o tamanho da crise lá fora”.
Para Arno, o Brasil está bem preparado para enfrentar futuras turbulências porque tem experiência devido à crise do ano passado, quando, segundo ele, o governo agiu de forma rápida e conseguiu vencer uma crise “fortíssima” com a americana.

“Portanto, até pela experiência recente, acho que a gente está em condições de enfrentar as turbulências. Mas tem que olhar e monitorar. Quando for o caso, se for o caso, agir”.
Arno Augustin fez as declarações depois de participar de audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, onde falou sobre execução orçamentária.

Fonte: Agência Brasil