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Governo do Rio abre seu patrimônio para habitação social

 

 

 A ideia de transformar imóveis ociosos no centro histórico do Rio em moradia para população de baixa renda começa a sair do papel. As obras de recuperação das cinco primeiras unidades escolhidas para participar do Plano de Reabilitação e Ocupação de Imóveis do Rio já estão em processo licitatório. Ao todo, 186 imóveis do Estado, localizados na região, foram pré-selecionados,dos quais 50 foram considerados apropriados para uso residencial.

 

 

Os imóveis que já estão ocupados foram apontados como prioridade por oferecerem risco aos moradores. É o caso da Avenida Modelo, uma vila na Rua Regente Feijó, no centro, que pertence ao RioPrevidência. Lá, havia um sobrado de dois pavimentos que desabou durante as fortes chuvas que atingiram o Rio em 2010. Nos fundos, existem oito casas – todas ocupadas. Para essas famílias, a notícia da recuperação do imóvel é motivo de comemoração.

 

 

– A gente melhora o que pode, mas tem coisas que não podemos fazer: consertar o telhado, por exemplo. Por isso, estou achando ótimo esse projeto. Para mim, vai ser uma benção – afirmou a dona de casa Rosângela Costa dos Santos, de 56 anos, que vive com seis familiares na casa.

 

 

As obras na Avenida Modelo vão preservar a arquitetura original da fachada e do telhado, já que o imóvel é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O sobrado será reconstruído e as casas da vila – em mau estado de conservação – serão recuperadas.

 

 

– Nós sofremos aqui com goteira, umidade e problemas no esgoto. Essa obra será maravilhosa. Vamos viver em boas condições e com a tranquilidade – disse Amanda Felício Aguiar, de 31 anos, que mora como marido na vila há 15 anos.

 

 

O plano prevê a reabilitação e ocupação de imóveis nos bairros do centro, Saúde, Gamboa, Santo Cristo, Cruz Vermelha, Estácio e Leopoldina.

 

 

– A área central do Rio passa por uma grande transformação e o setor habitacional não poderia perder esse bom momento. Por isso, elaboramos esse plano, em parceria com o Ministério das Cidades, a fim de contemplar os moradores que vivem sob risco e resgatar o valor histórico desses prédios – destacou o secretário de Habitação, Rafael Picciani.

 

Política pública estratégica

 

Reduzir o déficit habitacional e revitalizar o centro do Rio ao mesmo tempo. Na avaliação do professor Mauro Santos, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), esta é uma medida estratégica.

 

 

– Trazer a população para a área central promove melhoria da qualidade de vida do trabalhador, uma vez que reduz os custos com transportes, e garante acesso à cultura e à infraestrutura da região. Sem contar que recupera áreas degradadas e o patrimônio arquitetônico do Rio, que tem elevado valor histórico, artístico e cultural – explicou Santos,coordenador do Atelier Universitário, que participou da elaboração do plano.

 

 

Após a realização das obras, estão sendo estudadas duas possibilidades para aproveitamento dos imóveis que integram o patrimônio do Estado: a concessão de uso aos moradores ou a locação social. Com isso, o sonho de dona Marta Sanches Pimenta, moradora da Avenida Modelo há 50 anos, fica cada vez mais próximo de se realizar.

 

 

– Eu quero ver essa vila toda bonitinha, reformada, com as crianças correndo por aqui . Agora, a gente está vendo que isso vai acontecer – disse.

 

Fonte: Governo do Rio