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Governo do Rio veta expansão do terminal de Ilha Grande

 

 

O Governo do Estado decidiu negar o pedido de expansão da capacidade do terminal de armazenamento de óleo da Transpetro, localizado em Angra dos Reis, o Terminal de Ilha Grande, mais conhecido como Tebig. A decisão foi tomada a partir de análise feita pelo Grupo Técnico criado por Decreto do Governador Sérgio Cabral, composta por membros das secretarias de estado de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços (Sedeis), Ambiente e Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca. Relatório apontando a inviabilidade do projeto – preparado com apoio do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) – foi apresentado nesta quinta-feira à imprensa.

 

 

A expansão do Tebig prevista pela Transpetro visava a construção de um novo píer com quatro berços para navios tanques com porte de até 350 mil toneladas de porte bruto, e a construção de oito tanques de armazenamento de petróleo, com capacidade operacional unitária para 100 milhões de litros, o que praticamente dobraria o volume movimentado atualmente na região.

 

 

Segundo o secretário do Ambiente Carlos Minc, a maior frequência de petroleiros naquela região, além do aumento no volume de capacidade dos navios, aumentaria sobremaneira o risco de acidente naquela região. O relatório apresentado pelas três secretarias destacou que naquela região já ocorreram pelo menos seis acidentes ambientais em decorrência da movimentação de óleo. Um deles, na década de 80, provocou o vazamento de 250 mil litros de óleo no mar.

 

 

– O acidente da Chevron, que aconteceu este ano, teve uma enorme repercussão, apesar de ter sido um vazamento de cinco mil litros e ocorrido bem longe da costa. Se isso ocorresse naquela região, poderia ter um impacto ambiental maior – lembrou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Julio Bueno.

 

 

Para ele, há alternativas para que a Petrobras amplie sua capacidade de armazenamento em outras áreas do Estado do Rio de Janeiro, para atender o aumento da demanda por conta das operações do pré-sal, sem prejuízo para arrecadação local ou mesmo para a geração de empregos. O secretário destacou o Complexo do Porto do Açu no Norte Fluminense, e ainda os terminais portuários de Barra do Furado e de Macaé, que estão sendo estruturados para receber atividades semelhantes. Além disso, Bueno lembrou que a própria Petrobras possui área de 10 milhões de metros quadrados em Itaguaí para instalar um terminal portuário, que pode conter tancagem para petróleo. Este terminal, no entanto, ainda está em fase de detalhamento.

 

 

– O Rio de Janeiro possui três baías e estamos gastando trilhões para despoluir o que já foi poluído. A Baía de Ilha Grande tem uma forte atividade pesqueira, possui o maior polo de maricultura do estado e concentra 34% da pesca fluminense, além de ter forte potencial turístico. Se concedêssemos esta licença para a expansão do Tebig, seja em nome de quantos empregos fossem, estaríamos sendo acusados de crime ambiental, por não preservar uma região como essa, além das atividades que já existem lá – argumentou o secretário de Ambiente, Carlos Minc.

 

Fonte: Governo do Rio