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Governo dos EUA diz que país falhou em operação para libertar repórter executado

tim foley

 

Fontes do governo americano informaram ao jornal The New York Times que uma operação militar secreta promovida em julho falhou na tentativa de libertar o jornalista James Foley e outros cidadãos americanos sequestrados na Síria por terroristas do Estado Islâmico. 

 
 
Na terça-feira (19/8), o Estado Islâmico (EI) divulgou um vídeo que mostra a morte do jornalista americano James Wright Foley, de 40 anos. O ato ocorreu em represália aos ataques aéreos dos Estados Unidos contra forças jihadistas no norte do Iraque.
 
 
 
A missão, autorizada pelo presidente Barack Obama, envolveu diversas equipes e resultou na morte de alguns terroristas. O Pentágono divulgou comunicado sobre a operação, mas não mencionou se o jornalista era um dos alvos de resgate.  
 
 
 
“Os Estados Unidos usaram toda a capacidade militar, de inteligência e diplomáticas para trazer as pessoas para casa, sempre que possível. Os Estados Unidos não vão tolerar o sequestro de nosso povo, e vai trabalhar incansavelmente para assegurar a segurança de nossos cidadãos e para responsabilizar os sequestradores”, diz o texto.
 
 
 
Os terroristas enviaram um e-mail à família de Foley há uma semana com ameaças. A mensagem dizia que o jornalista seria morto de os EUA seguisse bombardeando alvos do Estado Islâmico no Iraque. 
 
 
 
O cofundador do Global Post, site para o qual o repórter trabalhava, disse que a Casa Branca foi alertada sobre as ameaças. “Nós imploramos por misericórdia, explicamos que Jim era um jornalista inocente, que não fez nada para prejudicar o povo sírio. Infelizmente, eles não mostraram nenhuma compaixão”, disse à WCVB.
 
 
 
Ao canal americano ABC News, uma fonte do governo americano também confirmou que a Casa Branca possuía conhecimento das ameaças antes da divulgação do vídeo.
 
 
 
ONU pede justiça
 
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ji-moon, repudiou o assassinato do jornalista e solicitou que os responsáveis pelo crime sejam levados à justiça. “O assassinato do repórter é um crime abominável que mostra que segue adiante a campanha de terror do Estado Islâmico do Iraque e o Levante (EIIL) contra o povo do Iraque e da Síria”, disse em comunicado.
 
 
 
“Atração pelo conflito”
 
Experiente na cobertura de guerra, Foley dizia que tinha “atração por zonas de conflito”. Colegas o descreveram como “um jornalista corajoso e incansável”.
 
O repórter foi sequestrado na Síria em novembro de 2012, quando cobria a guerra civil no país para agência de notícias France Press (AFP) e para o Global Post. Em 2011, foi capturado na Líbia, quando cobria a insurgência contra o ditador Muammar Khadafi. O repórter foi solto depois de seis semanas, após uma campanha organizada por seus pais para solicitar a libertação.
 
A experiência, entretanto, não deteve Foley e ele se interessou por cobrir a situação na Síria. “Sentir que você sobreviveu a algo é uma espécie de força estranha que puxa você de volta.” Ele falava que estava “atraído pelo drama do conflito” e que tentaria “expôr histórias não contadas”.
 
 
 
Suspensão de contas  
 
O Twitter informou que suspenderá contas que compartilham o vídeo que mostra a decapitação do jornalista americano. O CEO do serviço de microblogs, Dick Costolo, fez o anúncio após uma campanha contra o compartilhamento deste e de outros registros do grupo Estado Islâmico (EI).
 
Os apoiadores da campanha intitulada #ISISmediablackout acreditam que as imagens servem como propaganda para o EI e pedem embargo midiático para o grupo.