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Governo firma convênios e entrega caminhões a cooperativas de catadores

 
O governo federal, em parceria com a Fundação Banco do Brasil, Petrobras e o Incra, assinou convênios e entregou 22 caminhões para cooperativas de catadores de materiais recicláveis, na manhã desta sexta-feira (22), na Arena Socioambiental da Rio+20, na Cúpula dos Povos. Ao todo, serão entregues 140 caminhões em todo o país. “Nesse momento, estamos repassando 22 chaves às cooperativas, que vão contribuir para o importantíssimo trabalho social, econômico e sustentável que desenvolvem”, disse o presidente da Fundação Banco do Brasil, Jorge Streit.

 

No palco Encontros Globais, Sebastião Santos, o Tião, presidente da cooperativa dos catadores do Jardim Gramacho e um dos líderes do Movimento dos Catadores de Materiais Recicláveis, assinou também convênio com o Incra para receber um terreno de 41 mil metros quadrados onde serão realocadas as famílias que viviam próximo ao lixão de Gramacho, recentemente fechado.

 

Representando os catadores brasileiros, Tião recebeu a chave de um dos caminhões e firmou convênio com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para qualificação profissional dos trabalhadores. “O fato de o lixão de Gramacho ter sido fechado não representa o fim das nossas lutas e a exclusão daqueles que historicamente já eram excluídos nos últimos 35 anos. Como um dos líderes do movimento, afirmo para todos vocês que meu propósito é construir, junto com todos, e lutar cada vez mais por melhores condições para nós, catadores de materiais recicláveis”, disse.

 

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, assinalou que a cerimônia representa um marco na história do país. “É a concretização do velho sonho de apoiar fortemente os movimentos dos catadores no Brasil.” O ministro destacou que o relacionamento e a cobrança dos movimentos sociais estão fazendo a política governamental cumprir cada vez mais o papel que deve. “A máquina pública está sendo colocada, cada dia mais, a serviço do povo, e isso só acontece porque vocês se organizam e lutam pelos seus direitos”, disse.

 

 

Para o economista e professor Paul Singer, secretário nacional de Economia Solidária, o trabalho dos catadores precisa ser continuamente valorizado e receber investimentos do governo. “Reciclar é preservar a natureza. Do ponto de vista social, o papel deles é crucial. Organizando-se em cooperativas, eles definem o próprio caminho e ganham força para cobrar do governo.”

 

O ex-ministro Carlos Minc, secretário do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, destacou que governos e sociedade precisam modificar o discurso que separa o dinheiro da natureza. “Sem o meio ambiente não há economia. De que adianta lucrar bilhões e não ter um planeta onde investir esse dinheiro? É preciso parar com a esquizofrenia que separa investimento econômico de desenvolvimento sustentável consciente, preservando o meio ambiente.”

 

Fonte: Ascom/MDS