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Hospital Miguel Couto é o primeiro do Rio a ampliar o horário de visita

O Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, ampliou o horário de visita aos pacientes, de uma para nove horas. O projeto Visita Aberta amplia o acesso dos visitantes ao hospital, que é o primeiro do estado a adotar essa política pública. O horário de visita, que era de 15h às 16h, passou a ser de 11h às 20h, com exceção do CTI, que permanece com o horário antigo. 

 

 

Para o diretor do Miguel Couto, Luiz Alexandre Essinger, a medida, em vigor desde setembro, reduziu a fila de espera para visitar os pacientes e trouxe vantagens para o tratamento dos enfermos:

 

– O projeto facilitou a organização do hospital. Antes tínhamos fila no horário de visita e agora está mais seguro e organizado esse fluxo de pessoas. Além disso, o Visita Aberta leva vantagens para o paciente, que tem um suporte maior da família e amigos. A iniciativa também facilita no tratamento do paciente porque a equipe de saúde pode esclarecer melhor sobre a intervenção para os familiares.

 

Segundo a Política Nacional de Humanização (PNH), a Visita Aberta amplia o acesso dos visitantes às Unidades de Internação para garantir o elo entre o paciente e familiares. Parte-se do pressuposto de que a família deve participar do processo de cuidado, sendo necessária sua presença durante a internação a fim de receber orientações da equipe quanto ao seu papel de cuidadores e técnicas para continuidade do cuidado em casa. Com a implantação da proposta da visita aberta, a instituição amplia sua ação de saúde até a comunidade e mantém ativa a responsabilização dos familiares em relação ao doente.

 

 

Antes da implantação do projeto “Visita Aberta” cada setor do hospital possuía um horário para visitação. Segundo a vice-diretora da unidade de saúde, Loredana Mantovano, o projeto foi muito bem recebido pelos profissionais de saúde, pacientes e familiares:

 

 

– A participação do familiar no tratamento do paciente é fundamental para sua rápida recuperação. Além disso, esse familiar acaba se tornando um cuidador, pois acompanhando o paciente no hospital, tendo contato direto com o seu médico, ele saberá como trata-lo em casa. Também observamos que o paciente acompanhado mais frequentemente por familiares fica mais calmo e, com isso, sua recuperação se torna mais rápida.

 

 

Marisa de Carvalho Sobrinho, 47 anos, quase não sai de perto de seu marido, o eletricista Silvino, que se recupera de uma fratura ocorrida durante o trabalho. Para ela, o aumento do tempo de permanência de familiares no hospital está sendo útil, tanto para ela quanto para o seu marido.

 

 

– Tanto o paciente quanto os familiares passam por uma carga de estresse muito grande. Se para ele ficar mais tempo com membros da família é bom para a recuperação, para quem acompanha é ótimo, pois sempre tem alguém para conversar. No final das contas, acabamos nos tornando uma só família – afirmou Marisa, apoiada pelo marido, que agradece a oportundidade de passar mais tempo ao lado da esposa:

 

– Só assim consigo me distrair. Quando estamos sozinhos, o tempo parece não passar e isso me angustia. E não ter com quem dividir isso nos faz um mal tremendo, é muito ruim. A simples presença de uma pessoa ao meu lado já alegra o meu dia.

 

O mesmo acontece com Antônio Ferreira Sobrinho, 58 anos. Internado na Emergência de Ortopedia pela segunda vez, ele conta que na primeira internação só dispunha de uma hora para ficar com o seus familiares. Na maioria das vezes, a filha e a mulher não conseguiam chegar ao hospital a tempo de visitá-lo, por conta da distância e do trânsito.

 

 

– A mudança no horário de visitação melhorou, e muito, a vida dos pacientes do hospital. Dessa vez, sei que não estarei sozinho por muito tempo, pois a companhia de uma das duas está garantida – disse o paciente, que aguardava a realização de uma cirurgia no braço.

 

 

Ao lado do filho, que se recuperava de um acidente de moto, Maria do Carmo Pires Fares, 62 anos, elogiou ainda a atenção que os dois estão recebendo dos profissionais do Hospital Miguel Couto.

 

 

 

– Além da flexibilidade do horário, o atendimento é fantástico. Sem o tumulto causado pelo horário anterior de visitação, os médicos e enfermeiros trabalham com mais tranquilidade e não deixam sem informações. Meu filho está sendo tratado com muito carinho.

 

Inaugurado em 1936, o Hospital Miguel Couto tem como missão atender as urgências e emergências. O local possui 404 leitos e atende cerca de 200 pacientes diariamente. Em média, são realizadas 900 internações mensais, sendo feitas 500 cirurgias.