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Medicina personalizada é a grande tendência

Pensar a medicina de forma individualizada, respondendo às características genéticas de cada paciente, é um desafio mundial. No Brasil, centros de excelência, como o Instituto do Coração, a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e a Escola Paulista de Medicina-Unifesp, caminham a passos céleres nesse sentido. O mesmo ocorre faz algum tempo no Instituto Avanços em Medicina, instituição que administra, de forma pioneira e com sucesso, tratamentos personalizados aos portadores de cânceres, baseados nas características próprias dos tumores, sempre priorizando a humanização.

 

 

“Se um tumor expressa determinados genes, proteínas específicas e particularidades moleculares, o tratamento é ministrado para aquele tipo de tumor, para aquela assinatura genética”, afirma a diretora Nise Yamaguchi, oncologista e pesquisadora da FMUSP. “São alvos teleguiados, como anticorpos monocronais ou substâncias inibidoras de crescimento, específicas para aquele foco molecular”.

 

 

Nesses casos, são considerados aspectos da biologia do tumor, da interatividade do mesmo com o sistema imunológico do paciente, entre outros. O objetivo é melhorar a resposta imunológica.

 

 

“Esse é um caminho para obter dados seguros sobre vários pontos, como a efetividade de uma droga no tratamento. Um remédio não age igualmente em todos. Tem gente que responde rápido, outros devagar, e para certos grupos o resultado é nulo. Aliás, há paciente que não possui enzimas para eliminar determinados quimioterápicos, sendo que os mesmos podem ser extremamente tóxicos. Enfim, uma coisa simples para uns pode complicar o quadro de outros”.

 

 

Há quem questione a relação investimento-benefício da medicina personalizada. Para averiguar a sensibilidade aos quimioterápicos um teste seguro estaria na casa de R$ 1.500,00 para um determinado gene e podem ser necessários vários estudos. Obviamente o argumento de alto custo não resiste às evidências, especialmente sob o aspecto da humanização. Muitos maiores são os custos de dias e mais dias em uma UTI de ponta, sem falar no agravamento da saúde ou da morte de um paciente, desdobramentos que não têm preço.

 

 

“Pleiteamos que convênios passem a cobrir farmacogenômica de quimioterápicos; é um procedimento importante, pois diminui o risco de o paciente se intoxicar desnecessariamente. No Instituto Avanços também é protocolo testar a sensibilidade de um tumor a determinados quimioterápicos. Fazemos uma espécie de antibiograma para conhecer a reação. Existem proteínas que, quando ativadas no tumor, avisam se haverá ou não sensibilidade àquele medicamento. O paciente com toxicidade relevante a um quimioterápico o saberá logo após os exames, sendo poupado de tratamentos caros, inúteis e dolorosos sob todos os aspectos”.
Hoje, já há exames que, realizados em câncer de mama inicial, por exemplo, evitam que a portadora se submeta à quimioterapia; e ainda indica se a medicação pode complicar a evolução e a vida média. Portanto, são testes fundamentais. Esses, de fato, possuem custo mais elevado. Entretanto, se administrados em maior escala barateiarão, criarão demanda, competitividade, diminuindo os valores e tornando-se mais acessíveis.

 

 

Vale lembrar que há dez anos uma injeção subcutânea para aumentar glóbulos brancos de uma pessoa submetida à quimio era bem cara. Só que era indispensável para evitar septicemia. No fim das contas, poupava-se o paciente de uma infecção gravíssima, de uns 20 dias de UTI e do risco de morte. É o típico exemplo de custo eficiente, ou seja, de quando o remédio vale a pena.

 

A experiência do Instituto Avanços demonstra que dessa forma interna-se menos, as complicações diminuem, reduz-se a necessidade de sangue e as distorções nos exames sanguineos, opera-se somente o necessário; enfim, todo o processo tem maior controle e resolubilidade.

 

“Se conseguirmos evidenciar isso ao sistema público e aos convênios, um passo essencial será treinar uma plataforma de rede molecular para o Brasil, com patologistas e biólogos que entendam de genética de câncer e desses testes mais modernos”.

 

 

Fonte: Assessoria