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Mutirão de atendimento gratuito no Dia Mundial do Rim

Rim

 

 

A iniciativa faz parte da mega campanha nacional “Rins em Defesa da Vida”. O objetivo é alertar para os riscos da doença renal crônica que já atinge dez milhões de pessoas no Brasil. A campanha inclui a iluminação de monumentos turísticos em várias cidades brasilleiras.

Na próxima quinta-feira, a Sociedade Brasileira de Nefrologia coordena em todo o país mutirões gratuitos de prevenção, envolvendo a população em atividades como medida de pressão arterial, glicemia capilar, exames de urina e a distribuição do folheto “Fique Sabendo: Seus Rins Estão OK?”, com o objetivo de divulgar para o público leigo quem pode ter, como se proteger e como descobrir a doença renal crônica.

 

Em São Paulo, a SBN realiza o mutirão de atendimento gratuito à população no Hospital do Servidor Público Estadual (Rua Pedro de Toledo, 1.800 – 1º andar do prédio do pronto-socorro – Vila Clementino), das 08h00 às 16h00, incluindo palestras de orientação sobre a prevenção da doença. O atendimento prevê a aplicação de um questionário aos participantes sobre o quadro clínico de saúde e histórico familiar, a verificação da pressão arterial, além de exame de urina e a medição da dosagem da glicemia, com resultados emitidos na hora. Os usuários do Iamspe que apresentarem alterações serão encaminhados ao ambulatório de Nefrologia, se necessário. Os não usuários serão orientados a procurar serviços de saúde da rede pública.

 

Na Faculdade de Medicina do ABC serão realizadas palestras sobre prevenção à doença renal crônica. A população usuária do Ambulatório de Especialidades da FMABC, em Santo André, e do Hospital de Ensino Anchieta, em São Bernardo, receberá orientação em material educativo sobre a doença. Haverá também verificação da pressão arterial e teste para detecção de diabetes. Casos suspeitos serão encaminhados para exames mais detalhados e tratamento.

 

No Rio de Janeiro haverá um evento de iluminação do Cristo Redentor, no alto do Corcovado, às 18h00, e uma celebração organizada pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, com a presença do presidente da SBN, Daniel Rinaldi, entre outros nefrologistas, e representantes de associações, como a Fundação do Rim. Participam ainda pacientes renais transplantados. No domingo, dia 11 de março, será realizada uma caminhada do Leblon à Ipanema, a partir das 10h00, com faixas e distribuição de folhetos com informações sobre a prevenção da doença renal crônica.

 

Ainda na semana do Dia Mundial do Rim, o logo da campanha da SBN será  divulgado por grandes times de futebol durante os jogos. Já está confirmado o apoio dos jogadores de 30 times de todo o país, entre eles, Flamengo e Fluminense, que entram em campo, no dia 11 de março, para disputar o Fla x Flu, São Paulo x Portuguesa e Botafogo x Palmeiras.

 

Iluminando o Brasil

Também no dia 8 de março, monumentos turísticos de algumas cidades brasileiras serão iluminados com as cores (vermelho, azul e amarelo) definidas pela Sociedade Internacional de Nefrologia para comemorar o Dia Mundial do Rim. A Sociedade Brasileira de Nefrologia acende as luzes de alerta, com a mega campanha “Rins em Defesa da Vida”, que será coordenada pela Sociedade em todo o Brasil durante o ano de 2012, para divulgar os fatores de risco da doença renal crônica e os métodos utilizados para o diagnóstico – um passo importante para conter o avanço da doença, que já é considerada um problema de saúde pública mundial.

 

Com o objetivo de alertar os governantes e a população para a gravidade da doença que já atinge dez milhões de pessoas no país e continua crescendo de forma acelerada, a SBN inicia a campanha com a iluminação do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, a Ponte Estaiada, o Vale do Anhangabaú, o Monumento às Bandeiras, o Obelisco e a torre de transmissão da Rede Bandeirantes em São Paulo; o Ministério da Saúde, em Brasília (DF); o Museu de Arte Sacra, em Cuiabá (MT); a Estátua do Laçador e o Marco Divisório, em Santana do Livramento (RS); o Cristo Redentor de Juiz de Fora (MG); e o Hospital Universitário da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa (PB). A campanha “Rins em Defesa da Vida” conta com o apoio da atriz Danielle Suzuki, que recebeu o título de Madrinha do Dia Mundial do Rim.

 

Uma enfermidade complexa e fatal

 

Estudos populacionais em diferentes países têm demonstrado prevalência de doença renal crônica de 7,2% para pessoas acima de 30 anos e 28% a 46% em indivíduos acima de 64 anos. Mesmo em estágios iniciais, a chance de morrer por doença cardiovascular é 46% maior, sendo de 136% no estágio moderado da doença. Já nos pacientes em diálise, a mortalidade eleva-se de forma assustadora: uma pessoa de 30 anos tem a mesma chance de morrer que uma de 80 anos.

 

No Brasil, cerca de dez milhões de pessoas têm alguma disfunção renal. A prevalência de doença renal crônica é de 40,5/100.000 habitantes, inferior ao que é visto nos Estados Unidos (110/100.000) e no Japão (205/100.000), o que sugere que seja uma doença subdiagnosticada no país. De acordo com o último censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia existem mais de 90 mil brasileiros em diálise, com um custo anual de dois bilhões de reais e uma taxa de mortalidade de 17% no último ano. “Muitas pessoas morrem sem sequer ter acesso a essa terapia, por falta de diagnóstico”, complementa Daniel Rinaldi, presidente da SBN.

 

O diagnóstico precoce pode conter o avanço da doença

A doença renal crônica pode ser facilmente diagnosticada por meio de um exame de urina e da dosagem de creatinina no sangue e pode ser efetivamente tratada, retardando a progressão da doença e reduzindo as mortes e os custos. Para o presidente da SBN, a identificação dos pacientes, através da divulgação dos fatores de risco para a doença e das formas disponíveis para o seu diagnóstico podem modificar esse cenário. Segundo ele, programas de prevenção precisam ser incentivados e executados de maneira contínua. “A implantação de estratégias de rastreamento e prevenção da doença deve incluir orientação da população e de profissionais de saúde, além de buscar apoio de órgãos nas diversas esferas governamentais”, explica Rinaldi.

 

Fatores de risco e distribuição desproporcional

O censo revelou também os índices das causas das doenças renais crônicas: 35,2% para hipertensão, 27,5% para diabetes, 12,6% para glomerulonefrites, 4,2% para doença renal policística e 20,5% para outros diagnósticos. Os principais fatores de risco são a hipertensão arterial, o diabetes melittus, sobrepeso, tabagismo, idade acima de 50 anos, história familiar de doença renal e o histórico pessoal de algum tipo de doença renal. Entre a população adulta brasileira, estima-se que tenham: 30 milhões de hipertensos (24,4%), 7 milhões de diabéticos (5,8%) 17 milhões de obesos (13,9%) e 17 milhões de idosos. Os pacientes podem ser classificados nos vários estágios da doença: doença renal sem alterações na filtração glomerular (Estágio I), doença renal leve (Estágio II), doença renal moderada (Estágio III), doença renal grave (Estágio IV) e doença renal avançada (Estágio V).

 

O censo da SBN mostrou ainda que faltam nefrologistas nas redes primária e secundária do SUS. Atualmente, o número de nefrologistas cadastrados na Sociedade é de três mil profissionais, o que corresponde a um especialista para cada 63 mil habitantes. Trata-se de uma distribuição desproporcional ao longo do território brasileiro: Sudeste – 1/45.000; Centro-Oeste – 1/63.300; Sul – 1/65.300; Nordeste – 1/98.000 e Norte – 1/139.000. Dos mais de 5.500 municípios brasileiros, apenas 350 têm nefrologista.

 

O transplante renal cresceu no país, mas o número de pacientes em diálise dobrou no mesmo período

Outra opção de tratamento para a doença renal crônica avançada é o transplante renal, que está associado a menores taxas de mortalidade em longo prazo, melhor qualidade de vida e menores custos para a saúde pública. “Na última década, o índice de transplante de rim teve aumento significativo no país, mas ainda não reduziu o número de pacientes em diálise, que dobrou no mesmo período”, diz o presidente da SBN.

 

O Brasil tem o maior programa público de transplante de rim do mundo. Em 2010 foram realizados 4.657 transplantes, sendo 3.003 com doador falecido e 1.654 com doador vivo. Na última década, o número de transplante com doador falecido aumentou em cerca de 100% e com doadores vivos cresceu em 48%. A maior dificuldade para a doação de rim entre pessoas com morte encefálica é a falta de informação por parte da família. “Assim, devemos incentivar a população a expressar a vontade de ser doador aos familiares”, afirma Rinaldi.

 

Sociedade Brasileira de Nefrologia

Fundada no dia 02 de agosto de 1960, a Sociedade Brasileira de Nefrologia conta hoje com 3.100 associados em todo o país. O objetivo da entidade é congregar médicos e profissionais da saúde em torno da Nefrologia, promovendo o crescimento da especialidade, por meio do apoio aos profissionais, incentivo a projetos científicos e educacionais, colaboração com as demandas das sociedades médicas afins e com as demandas governamentais, no sentido de garantir à sociedade universalização do acesso à saúde renal.

 

Fonte: Daniel Rinaldi dos Santos