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Pacientes de mieloma múltiplo aguardam aprovação de medicamento na ANVISA

 
Usada em mais de 75 países e aprovada desde 2006 pela Food and Drug Administration (FDA), a lenalidomida mudou a vida dos pacientes diagnosticados com mieloma múltiplo (MM), 2ª doença oncohematológica em incidência no mundo, e síndrome mielodisplásica.  No Brasil, pacientes que necessitam de tratamento adequado contra o câncer lutam pelo registro da substância, que aguarda há mais de quatro anos a liberação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

 
O aposentado carioca Ludian de Souza Caetano, de 74 anos, diagnosticado com MM há cinco anos e que entrou na justiça há três meses para tentar receber o medicamento pelo governo, é um dos pacientes que estão à frente da ação que visa agilizar o registro no País. “Após ter sido diagnosticado, passei por diversos tratamentos que, infelizmente, não surtiram o resultado esperado. O primeiro medicamento que utilizei foi a talidomida, que me trouxe efeitos colaterais”, afirma o aposentado.

 
Segundo a Fundação Internacional do Mieloma (IMF, em inglês), há mais de 700 mil novos casos por ano no mundo da doença. Só nos Estados Unidos surgem 21 mil casos por ano. No Brasil, não há estatísticas exatas, mas segundo Dr. Angelo Maiolino, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), presidente da Associação Ítalo-Brasileira de Hematologia e diretor da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), surgem 10 mil novos casos/ano.  São cerca de 30 mil pacientes em tratamento no Brasil, sendo que 80% deles têm mais de 60 anos de idade. Com o envelhecimento da população dentro e fora do País o número deve crescer.

A falta da aprovação coloca em risco quem sofre de doenças como o mieloma e a mielodisplasia, alerta o médico. “A lenalidomida é uma opção insubstituível, principalmente após uma recaída. Sem essa alternativa terapêutica, você tira a chance do paciente viver mais e melhor”, diz o especialista.

Além de agir diretamente na doença, o médico destaca outros benefícios para o paciente que usa a lenalidomida: não provoca dormência em mãos e pés, com muito menos constipação, sonolência e fadiga. O uso é oral, ou seja, não é necessário ir até a clínica ou hospital para ser medicado. O Dr. Maiolino comenta ainda que “não existe a menor dúvida de que as novas drogas como bortezomibe e lenalidomida mudaram a realidade do mieloma múltiplo no mundo“. 

 
 
Mudança de paradigma

A lenalidomida, que mudou no mundo a realidade do MM e da síndrome mielodisplásica (SMD), aguarda há mais de quatro anos a liberação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). “Enquanto novas drogas são testadas, os pacientes brasileiros não têm acesso àquelas já consagradas para o tratamento deste câncer no resto do mundo. A falta da aprovação coloca em risco quem sofre de doenças como o mieloma e a mielodisplasia”, alerta o médico.

Durante a 4ª edição do Highlights of ASH in Latin America, que aconteceu em maio, hematologistas brasileiros, latino-americanos e norte-americanos reunidos em Foz do Iguaçu (PR), também lamentaram e contestaram a lentidão da ANVISA.

 

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