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Paes criará barreiras acústicas em favelas

 O prefeito do Rio, Eduardo Paes, disse que começam ainda este ano as obras de instalação de barreiras acústicas entre favelas e as duas das principais vias expressas da cidade, as linhas Amarela e Vermelha. Paes defendeu o projeto, alegando que o objetivo é proteger as comunidades do barulho e não para aumentar a segurança dos motoristas.

“Não são muros altos, de um metro de espessura. Você tem as pessoas com uma autoestrada passando em frente, com um barulho infernal. E a Linha Amarela é o auge do elitismo. Só tem barreiras nas áreas ricas. Quer dizer que pobre pode ouvir barulho e rico não? Vamos fazer isso para todos”, disse Paes, durante o lançamento do projeto Rio em Forma Olímpica, que pretende incentivar a prática esportiva entre crianças e jovens de comunidades pobres.

Paes negou que as barreiras acústicas sejam formas de exclusão, ou “muros de Berlim”, como foi tratado um projeto semelhante, da Assembleia Legislativa do estado, proposto em 2004, mas que não chegou a ser efetivado.

“É polêmica boba. Quem quiser ficar com essa besteira, basta ir lá na Linha Amarela, onde tem proteção de barreira acústica nas áreas ricas. Exclusão é quando você deixa uma criança de comunidade pobre, que mora no entorno de uma via expressa, pular para pegar uma bola de futebol e morrer atropelada”, afirmou o prefeito.

A construção das barreiras, que devem ser coloridas e ter o desenho da silhueta de morros cariocas, com partes em acrílico transparente, começa em novembro e podem ter os custos pagos pela empresa que administra a Linha Amarela.

Mas, apesar das boas intenções do prefeito, o projeto vai enfrentar resistência, segundo o líder comunitário Sebastião Antônio de Araújo, o Tião, que coordena a organização não governamental (ONG) Instituto Vida Real, direcionada ao atendimento de crianças, no complexo de favelas da Maré, à margem da Linha Vermelha.

“Mais uma vez estão querendo esconder as comunidades carentes. O que eles têm de fazer, não fazem, que é pavimentação, creches, escolas e áreas de lazer”, criticou Tião.

Segundo ele, a prioridade da prefeitura teria de ser ouvir as comunidades sobre o assunto e não impor o projeto: “Se nos chamarem, certamente estaremos dispostos a ouvir.”

Mas essa construção tem causado debates por partes de moradores das regiões, algumas associações estão se mobilizando alegando que os muros seriam uma forma de segregar as comunidades, segundo elas a utilização de paisagens de montanhas nas construções tem causado a impressão de se querer “tapar o sol com a penera”.

Uma comissão irá se reunir com o prefeito Eduardo Paes nesta terça-feira e um abaixo-assinado foi entregue ao presidente da Alerj, Jorge Picciani.

 

Fonte: Agência Brasil